quinta-feira, 14 de maio de 2020

rato branco

ok, som punk, pensamento punk o que mais faltava? o visual, claro.
primeiro eu pego uma camisa branca, coloco por cima do disco crucificados pelo sistema e copio com canetinha mesmo. passo dias com a mesma camisa. depois consigo uma caneta de tecido e repasso por cima o logo do ratos de porão. ué, não era do it yourself?
dae começo a rasgar a calça jeans. depois começo a raspar a lateral do cabelo com gilete. pra completar eu começo a fumar cigarro, escondido, claro.
isso tudo num mundo onde agora todo mundo gostava de iron maiden.
com a ressaca do rock in rio veio um mundo inteiro de "metaleiros" e "new wavers", se voce não era um, era outro. ou então voce é playboy
mas foi muito legal ver isso tudo de cima do muro. foi ótimo pelas questões todas levantadas. até porque o meu mundo ainda era a zona sul. e com isso fui aprendendo o que eu não queria.
aqui perto onde moro tem um clube chamado piraquê onde só se pode entrar com convite de algum sócio. tinha um pessoal da rua visconde da graça ia direto, tinha cinema dentro do clube. fui algumas vezes mas era um clube basicamente de boyzinho filho de milico. quando começou essa historia toda de "new wave", abriu-se um danceteria dentro do clube, era a época das danceterias no rio de janeiro.
eu ficava observando essa galera toda, o jeito deles, o pensamento deles e era tudo que eu prometi não ser. não queria ser esse tipo de gente. nego saia pegando as meninas, muitos meio que forçavam uma barra pra ficar com ela, ou até meio que tipo ou voce me dá ou voce me dá, quase que um estupro.como eu era o estranho, ninguem sabia me classificar, ninguem me incomodava.
mas era muito ruim como os garotos num modo geral tratavam as meninas, ou mesmo as pessoas, as empregadas, os porteiros etc. prometi pra mim que não faria nada daquilo.

voltando ao visual. no colegio começo a chamar a atenção. eu era o diferente né. as pessoas não sabiam realmente como me chamar. e eu com um anarquia gigante na calça, camisa do ratos de porão, boton do dead kennedys, cabeça raspada do lado e um rato no bolso da camisa de flanela. 
sim um rato! tinha uma pet shop perto do meu colegio. um dia eu vi vendendo uns ratos, eu disse rato, não camundongo. ok, eram ratos albinos, brancos, com o olho vermelho. comprei um. ele novinho cabia no meu bolso, ficava andando com ele pra lá e pra cá. depois ele cresceu e virou uma ratazana dessas grandes e gordas. meu pai é que curtia ele.(meu pai era punk, como eu disse antes  hahahahah)
tinham umas pessoas que deviam ter meio que nojo de mim porque não falavam comigo ou falavam mas tinham medo, eu não sei direito, mas como eu comecei a fumar cigarro, sempre vinha uma outra menina pedir um trago.
o ano de 1985 só tinha começado.