domingo, 10 de maio de 2020

iron maiden e acdc

os meus 13/14 anos foi uma das melhores coisas.
eu consumia MUITA musica. ouvia radio fluminense todo dia. ouvia quase todos os programas, menos o de musica progressiva, achava chato.
consumia MUITA revista especializada em musica. tudo que tivesse relacionado à musica eu tavo lá.
na TV RECORD tinha o programa REALCE que sempre passava um clip de musica. no ano seguinte, em 1984 apareceu com o programa VIBRAÇÃO, com apresentação do skatista Cezinha Chaves. ali era todo dia um clip e de vez enquando rolava uma entrevista com banda. no começo de 84 tambem surgiria na novissima tv MANCHETE um programa chamado FMTV só com clips. fora o fantástico que sempre que podia lançava um clip.
como teve a explosão da BLITZ em 1982, a mídia entendeu que poderia explorar tudo que pudesse em questão ao rock, então apareceram varias bandas, varias ruins é bem verdade, mas entre elas se salvava uma outra coisa
como eu era radical, praticamente um "metaleiro"(essa palavra ainda não tinha sido inventada), eu não gostava de muita coisa. mas tinham as bandas que a gente ouvia "escondido".

é mais ou menos nessa época que começo a frequentar uma rua que tem do lado da minha e que nunca tinha prestado a atenção, a rua visconde da graça.
fui parar lá com conta de um colega de colegio que morava lá e que tinha ido fazer trabalho em grupo. vi que tinha um turma enorme lá, era muito legal porque é uma rua sem saida, no final da rua tem um redondo que sempre tinha gente brincando, criança correndo, jogo se futebol, jogo de taco, sempre tinha alguem. como era uma rua sem saida, todo mundo se conhecia. todo mundo sabia da vida do outro, mas era muito tranquilo, tipo seu filho podia brincar na rua de boa, sempre tinha alguem tomando conta.
tinha as crianças com média de idade de 8/9 anos, tinha a galera da minha idade de 13/14 anos e tinha os mais velhos.
foi lá que aprendi muita coisa que levaria pra vida todo. valores, respeito, amizades. lá não existia essa coisa de classe social, todo mundo era igual. o rico andava com o filho de porteiro, o filho de militar andava com o rebelde.
todo mundo entendia que o mundo das marcas existia, mas não era aquela coisa de ser avaliado dos pés à cabeça. se voce tinha um tenis nike, voce ia ser sacaneado por ter um tenis nike e ir pra rua jogar bola com ele, tipo deixa ele em casa e vem com o seu tenis rainha furado, não precisa se exibir pra ninguem, aqui ninguem quer saber se voce tem dinheiro, a garotada quer saber se voce é gente fina e se sabe jogar bola bem. e só.
tinha a galerinha do rock tambem, mas eram mais tranquilos, nada de radicalismo. um deles foi o que me mostrou muita musica brasileira. de a cor do som, baby e pepeu, 14 bis, moraes moreira à musica instrumental como marcio montarroyos, toninho horta, léo gandelman, pascoal meirelles. ele curtia milton nascimento, caetano veloso mas isso eu nunca consegui engolir. desses todos eu sempre gostei do gilberto gil e só. tinha um outro que curtia um som mais antigo, samba das antiga, bolero, essas coisas, a coisa mais "nova" era o chico buarque. um outro se amarrava basicamente em rush. tinha o "new wave" da rua que curtia b-52s e U2. tinha os irmãos metaleiros que basicamente gostavam de iron maiden e black sabbath. sim, todos gostavam de iron maiden e acdc. acho que tanto o iron quanto o acdc tem essa coisa adolescente. mas todo mundo respeitava o armandinho o pepeu gomes e o dave murray ao mesmo tempo.