sábado, 9 de maio de 2020

d.maria e seu zé

o problema de escrever é que eu fico nessas de falar muito sobre a minha vida particular. queria escrever mais sobre musica, mas voces vão entender que muitas coisas vão se encaixando ao longo da vida. e isso é que eu acho muito louco
vou dar um grande exemplo:
minha mãe baixava santo.
não vou lembrar exatamente quando. acredito que eu tinha mais ou menos essa idade dos 10/12 anos o meu primeiro contato com essa coisa toda. lembro vagamente da minha mãe meio que "bebada" junto com o meu pai indo passar uma noite trancados no quarto. o meu ficava com a porta fechada e eu não sabia o porque, tipo era como se a minha mãe passasse maus e ficasse falando coisas sem sentido, as vezes gritando, enfim, era tudo muito estranho, mas eu achava que era bebedeira apenas.
um dia tou em casa de dia brincando no quarto e de repente a minha mãe entra com uma cara super estranha falando um nada com nada. de repente ela começa a falar que não era minha mãe e que iria levar o meu pai embora. quando eu cheguei perto dela pra falar ela me dá um tapão na cara. na mesma hora eu saio de casa, pego a bicicleta e vou a esmo.
depois eu volto e ela começa a me explicar que ela não é ela e que o meu pai escondia "ela" de mim. minha cabeça vai a mil mas tudo começa a fazer sentido.
meu pai sempre quis me poupar disso tudo ate porque eu era muito criança e talvez não fosse entender. nem ele conseguia entender.
meu pai era filho de mineiro com portugues e nunca tinha visto aquilo. por muitas vezes tentou procurar ajuda mas se envolveu com varios charlatões, varios centros espiritas e que nada acontecia. ele queira que a minha mãe se "curasse" daquilo.
ela por sua vez não entendia nada e dizia que nada acontecia, tipo no dia seguinte era como se fosse apenas uma ressaca. normalmente quando acontecia ela chegava em casa bebada, fedendo a alcool e falando mole. dae era em pouco tempo pra ela entrar em transe e do nada virava "outra pessoa", mudava a expressão do rosto, o comportamento, tudo.
com o tempo eu fui reconhecendo quem era quem porque não era apenas uma entidade que baixava, eram varios. quando eu era criança a entidade que eu tinha mais medo era quando vinha criança. criança é dificil, quer tudo, tem a compreensão dificil. tinha um que parecia mais responsavel, tinha um que pedia coisas,..., com o tempo fui vendo que eram pessoas distintas, tinha a criança, o velho a mulher, tinha um que não falava muita coisa, eram varios mas que se repetiam.
depois fui saber que se um se tratava da maria mulambo, do qual eu chamava de dona maria e o seu zé, o famoso zé pilintra. eles meio que tinham um certo carinho por mim, as vezes eu tava dormindo e o meu pai vinha me chamar dizendo que eles estavam me chamando e que queriam conversar comigo. as vezes tinha que beber vinho com eles, e era uma noite toda nessas. no outro dia eu e meu pai estavamos mortos com sono e cansaço porque apesar de ser tranquilo muitas vezes era tenso. isso meu pai tendo que ir pro trabalho e eu ir pro colegio. minha mãe ia curar a "ressaca" na praia.
com o tempo fui aprendendo a lidar com o todo. e confesso que eu gostava de conversar com a d. maria e o seu zé. eu era muito curioso com a coisa toda e ia perguntando sobre o "outro mundo".
uma vez fiquei muito impressionado porque eu meio que desafiei, tipo se tudo aquilo era me verdade me prove!
eu já andava no estação botafogo, um moleque de rua veio e me pediu dinheiro. eu disse que não dava dinheiro mas que podia pagar um pedaço de pizza, ele topou. sentou comeu a pizza com coca cola. quando ele tava indo embora, veio e me ofereceu a gandola que estava usando, disse que era pra mim. eu expliquei que a gandola seria mais util pra ele por conta da situação dele de rua. ele insistiu e disse que era pra mim. como na epoca eu queria uma gandola, acabei aceitando como se fosse uma troca pelo rango que tinha dado. depois me veio a cabeça que uma semana antes, uma das entidades disse que como prova da existencia dela que iria me dar um presente, algo que queria muito. pode ser muita coincidencia, mas foi coincidencia demais.
tenho ate hoje essa questão de ser "protegido" por eles. muitas vezes eu os vi "por ai" e me sinto bem com isso. infelizmente nem minha mãe nem meu pai gostavam dessa coisa toda.
existe uma historia que minha mãe teria sido escolhida pra ter esssas coisas. ela diz que não gosta porque tinha visões e que muitas vezes são coisas ruins, diz que via pessoas, etc. sei que de vez enquando ela vinha e falava tipo, filho fica em casa hoje e no outro dia fico sabendo de alguma briga no baixo gavea por exemplo.
ela nunca mais baixou santo segundo dizem. não moro com ela tem anos, não saberia dizer.
ela sempre diz que bebia demais e que era tudo fruto da imaginação dela.
respeito total todas as entidades e gosto dessa cultura. só pra deixar bem claro.