quinta-feira, 21 de maio de 2020

diXco

eu já os tinha ouvido muito na radio fluminense. tinha várias demos gravadas. a coisa toda das bandas de brasilia invadiram total o meu mundo. não era só a legião urbana. era o escola de escandalos, o finis africae, os 5 generais, o obinashok, o detrito federal, a plebe rude.
tinha as bandas de são paulo tambem e vinham atraves de discos independentes, o voluntarios da patria, o smack, a coletanea não-são paulo, as mercenarias, fellini, violeta de outono, zero, patife band, o rockabilly do coque luxe, kães vadius
aqui no rio é que a coisa era um pouco mais dificil.das poucas coisas que eu curtia o paralamas. gostava do joão penca e seus miquinhos amestrados. tinha o kongo, o hojeriza.
do sul eu praticamente só conhecia um tal de urubu-rei, que depois viraria o defalla.
demorei pra gostar do barão vermelho. achava o picassos falsos aquela coisa meio jim morrison-cartola meio estranho. e sim, as primeiras coisas do capital inical eram muito boas de verdade.

tudo isso era meio que pós-punk. tudo meio existencialista, tudo falava algo que eu precisava ouvir na epoca, principalmente quando se tem 15 anos e em crise.
dessas bandas todas a legião foi a influencia mais direta. eles vinham da coisa do punk, do do it yourself total. eles tinham fanzine, demotape, botton, camisa, tinham publico, tinha um passado. tinha a indentificação com o joy division, a coisa toda da geração coca-cola.
lembro ate hoje o dia que comprei o primeiro disco da legião. frequentava a gramophone, uma loja que tinha no shopping da gavea. magal, um vendedor amigo disse, kadu, chegou um disco que é a sua cara! eu praticamente conhecia metade das musicas atraves das demos que tocavam na radio. uma ou outra eu torci o nariz porque estavam muito limpinhas. tipo "a dança", "ainda é cedo", a propria "geração cocacola", mas era aquela coisa de disco né, sempre a gravadora dava uma limpada no som pra poder tocar nas outras radios.
a plebe rude tambem foi uma grande influencia. já os via em shows junto com o colera no circo voador, tinha uma sequencia plebe-cólera que pra mim foram varios shows.
e eu os via direto na gavea, eles vieram morar do lado de onde eu estudava, então sempre os encontrava. e tinha aquela coisa deles sempre andar com aquele visual meio punk da epoca, eram faceis de reconhecer.
tinha o escola. o escola de escandalos foi a unica banda de brasilia dessa leva que não gravou um disco. rolava demo direto na fluminense. "popularidade" virou meu hino! tinha uma coletanea chamada rumores com 4 bandas de brasilia. o detrito federal me divertia muito com a coisa do punk roots, mas pra mim era como se eu já tivesse passado por aquilo. o finis africae era muito legal. o elite sofisticada não me chamava a atenção, mas o escola era muita coisa.

com essa influencia toda, comecei a andar com o visual que essa galera andava tambem. imagina no calor do rio, voce de coturno, calça jeans rasgada, camisa branca com uma camisa de flanela por cima, e cheio de alfinete pra tudo que é lugar.
e ainda tinha uma coisa interessante, eu não falava o carioques normal. eu sempre desde de moleque falava as palavras certas, tipo falava tOmate, diSco, naScimento, e não tUmate, diXco, naIscimento, eu não tinha esse X que o carioca coloca nas palavras. depois que voce mora em outro estado, quando voce volta é que voce nota essa coisa. tipo aqui voce abre a boca e naturalmente já vem um chiado.
com o tempo comecei a ter que forçar o X. diXco. era foda porque sempre tinha aquela pergunta, voce é da onde? eu já tinha o visual diferente, o sotaque, tipo era de outro planeta né