domingo, 31 de maio de 2020

puLtzzz

acho que foi verão de 87.
tiveram as famosas chuvas de verão, mas que na real foram enchentes e muita gente perdeu casa etc... acho ate que foi quando alguem resolveu descer a rua pacheco leão surfando.

foi a primeira vez que vi a rua jardim botanico interditada. ninguem passava, só se voce fosse andando pela grade. não tem escoamento, o lance é esperar a agua baixar. (há poucos anos aconteceu isso comigo, fiquei com agua batendo no peito, tive que voltar da gavea pro jb pela grade).

rolou o s.o.s. rio, pra arrecadar alimentos roupas e suporte de primeira necessidade para as pessoas que perderam suas casas.

era época de piramide. o que era piramide? uma pessoa chamava outra e colocava um certo dinheiro, essa pessoa que colocou dinheiro chamava mais duas outras pessoas e essas duas colocavam essa certa quantia, no final de x pessoas, quem foi o primeiro, "decolava", tipo ficava com a grana toda arrecadada e o proximo era o da vez, e assim ia.

fui na casa de uma amiga no leblon. a irmã dela tava organizando uma dessas piramides. lá conheci uma turma que era basicamente uma galera que teatro. tava o piupiu (ator e professor luis carlos tourinho) que tinha sido o meu vizinho, a gabi (que foi minha amiga de infancia, enteada do lulu santos) e uma outra galera.

a carlinha eu tinha a conhecido num show do ira no canecão. ela e a rara. a carla morava no prédio de "um maluco igual a voce, kadu", o nome dele era diba.

a turma que tava na casa da carla resolveu ir ajudar a recolher alimentos no planetario da gavea, muita gente tava ajudando como podia.
chegando lá, o pessoal disse que ja tinha muita gente e que estavam precisando de gente no estadio de remo da lagoa, acabamos indo pra lá.
como tava de bobeira fiquei indo pro estadio de remo a semana toda. era muito louco porque voce via chegar muita coisa e muita coisa era colocado de lado para ir para "outros lugares", tipo chegava uma entrega de roupa de marca e o pessoal colocava em outro monte, ou já colocavam nos proprios carros. a gente sabia que essas roupas não iriam pra abrigo da prefeitura nenhum.

a turma que se formou acabou que se reuniu pra trocar ideia e manter um nucleo pra que se acontecesse de novo já ter pessoas pra ajudar. nisso acabei conhecendo uma menina chamada silvana.

a rara fez uma festa de aniversario e me chamou. cheguei lá e uma mina não parava de me olhar, o nome - carmen. no outro dia liguei pra rara e pedi o telefone da tal mina.
ela estudava num colegio na praça são salvador, o senador correia. fui lá encontra-la.
o senador correia era um colegio "alternativo", com um gremio anarquista capitaneado pelo joca, um carinha de moicano.
a carmen fazia aula de teatro numa casa perto do clube de espanha no humaita. o piu piu dava aula lá. era um trio, ela, a luciana e o flavio. a lu era a melhor amiga da carmen, estudava no colegio bennett no flamengo. acabamos que grudamos todos, tipo quando voce via um, voce via os outros tres.

era a epoca do impeachment do collor. a gente ia de colegio em colegio pra trocar idea, ouvir o pessoal da AMES etc. nessas conheci o mauricio "vermelho", depois conhecido como dj saddam.

muito estudante se envolveu com politica, um tal de lindberg farias tava no meio disso. outras pessoas tambem, mas muitos viram que isso tudo era mó roubada.

essa coisa de passeatas etc se repetiria no futuro com o nome de geração cara-pintada.
mas nós fomos os primeiros!

com isso o então presidente pede a renuncia. fim da era collor. porem quem assumiria o poder: o vice itamar "topete" franco.
puLtzzz

sábado, 30 de maio de 2020

meu amigo PAULO SKIN

acho que foi final de 86, não lembro direito, mas foi um dos mais belos shows da legião urbana que vi.
canecão, aquele palcão lindo, passando uma especie de doc sobre brasilia nos telões laterais. foi muito foda. era final da tour do primeiro disco, logo os palcos iriam ficar pequenos pra eles. o primeiro disco nem foi tanto, mas o disco "dois" tocou quase todo nas radios fazendo todo mundo decorar a letra gigante de faroeste caboclo. acho que depois disso veio o maracanãzinho já na serie de shows da alternativa nativa, mas isso é um pouquinho mais pra frente.

um pouco antes vi um show deles no aniversario de 5 anos da radio fluminense FM, no clube monte libano. foi o bikini cavadão, a legião, e mais umas 3 bandas.
uma das bandas era do sergio dias, então ex-guitarrista do mutantes. ele foi meu vizinho de predio. eu nem sabia direito o que era mutantes.
o bikini eu conheci num sarau do colegio rio de janeiro. eles ainda não tinham guitarrista; o tecladista tocava com um casiotone, o vocal tinha estudado lá, alguma coisa assim.

aos poucos voce ia reconhecendo as pessoas que iam nos mesmos shows que voce. figuras que voce meio que já sabiam os nomes por serem do "meio".
tipo os irmãos nelson e edinho. eles tinham uma banda chamada kongo e circulavam bastante por copacabana. eu via o edinho direto numa loja de disco por lá.
o pedro ribeiro, irmão do bi tambem era figurinha facil em varios shows. pessoas que trabalham em produção, musicos, essa galera tinha de monte, o rio nessa epoca era um turbilhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo. as gravadoras estavam aqui. vejo isso tudo ainda como uma ressaca pós rock in rio.

muita banda veio morar aqui, a plebe rude, o detrito federal, o finis africae. era facil voce encontrar essas pessoas circulando a zona sul. lembro de encontrar o renato rocha, então baixista da legião no macdonalds de ipanema.

tinha aqueles que eram pessoas normais. tipo não eram musicos, mas eram pessoas que voce sempre os via nos shows.
um em particular eu morria de medo. medo mesmo, pavor, panico. era um skinhead.

sim, tinha a turma dos skinheads que vieram junto com o pessoal de brasilia, mas que eram "gente boa". os carecas de brasilia não tinham essa coisa de nazi-fascistas. era o fred, o moleque, o bahia, um ou outro que não lembro os nomes.
mais tarde fui lembrar dos irmãos fred e moleque. eu estudei com eles! tive aula com a mãe deles! dona alda dava aula no colegio pedro ernesto, fui da sala do cristiano! eles foram pra brasilia, o pai deles trabalhava no DOI-CODI!

mas o careca que eu tinha medo mesmo era um tal de PAULO SKIN.
ele não era de brasilia. andava direto com o muti randolph, um cara gigante que tinha um moicano ruivo.

tipo eu tavo no busão voltando de copacabana, ele entrava, eu descia na mesma hora, isso aconteceu uma duas vezes.
um belo dia tavo num show no circo voador e reencontrei a cris, a punk do meu colegio, a que tava na fila do show da siouxsie.
ela veio e disse pra ficar com ela e a turma dela. foi me apresentando um a um. sentei e comecei a trocar ideia com a galera até que uma coisa me cutucando a costela começou a me incomodar. quando vi era o paulo skin me cutucando com uma muleta e falando assim - SAI DE PERTO DELA.
na mesma hora eu disse que tinha que ir ao banheiro algo assim e brucutu, me mandei.

anos depois eu contei essa historia pra ele ele riu MUITO. ele tinha uma risada muito caracteristica, e é por isso que quando escrevo risadas - hehehehehehe, é como se fosse ele rindo. ate hoje eu rio um pouco assim, tipo peguei dele, só que ele ria assim, HEHEHEHEHE.
 nessa epoca ele era muito doido, nesse show do circo ele entra no meio da roda punk e começa a dar com a muleta no chão, no meio da roda.

depois de um tempo a gente ficou amigão.
infelizmente ele se foi, pulou da janela. é uma historia muito doida e estranha, tipo nunca vamos saber a verdade. um dia ele se tranca no quarto e fica lá uns dias, a mãe manda arrombarem a porta, e ele sai de lá numa boa. diz que quando a velha se virou ele saiu correndo e voou pela janela.
ele tinha sido internado varias vezes, a mãe pegava todas as roupas e discos e jogava tudo fora, quando ele saia da internação, comprava tudo de volta. uma epoca entrou numas, se formou e começou a dar aula na PUC.

saudades dele.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

os hippies

do colegio peixoto fui parar num outro que ficava no começo da voluntarios da patria. esse eu realmente esqueci o nome, até porque foi o colegio que menos "frequentei", mas que foi importante porque lá conheci uma turma nova, os hippies!

não, eu não me tornei um hippie, não sou tão zelig assim! mas era uma outra galera. não eram aquela coisa de hippie anos 70, mas sim hippies-punk! alem de já andarem por ae fazendo coisas, cada um era meio que independente, fora a questão toda de uso de drogas etc.

o dia que realmente me bateu a real foi o dia que o professor de matematica me chamou de mister do cabelo, e um cara que tava do meu lado, de mister do cabelo comprido. esse professor era mó figura, se amarrava em raul seixas e chamava todo mundo de mister alguma coisa. falava sobre janis joplin direto nas aulas.

porque ele me chamou de mister do cabelo?
nessa epoca foi quando eu assumi o cabelo moicano de verdade. eu devia estar com quase um palmo de moicano em pé. só que quando resolvi ir pra esse colegio, meus pais me encheram o saco porque eu ia prum colegio onde as pessoas eram profissionais, e que estavam lá porque não tiveram tempo de estudar, e blablabla. descobri isso porque eles proprios fizeram supletivo pra acabar os estudos. e devia ser assim onde eles estudaram. ou seja, o colegio peixoto realmente era uma coisa de mauricinho e que eles reconheceram isso quando me mandaram para esse outro.

ah, esqueci total o nome do colegio, era tipo santa alguma coisa, mas enfim, eles me encheram tanto o saco que acabei cortando o cabelo maquina 1.
mas logo no primeiro dia, vi que ok, tinha lá a galera office-boy, tinha a galera que trampava em banco, tinha a galera que trabalhava em loja e que precisava de acabar os estudos pra poder subir de cargo etc, mas tambem tinha a galera maloqueira, que logo fui me apresentando; os maconheiros.

nessas conheci o kiko que era da minha sala, e o fernando. a gente ficava no intervalo trocando ideia e fumando cigarro. mas ainda não seria o momento que a gente iria sair junto, eu ainda andava direto com o marcio parafina. e ainda tinha a turma da visconde da graça tambem. e o guto.

o kiko e o fernando eram musicos, ou queiram ser. o fernando era batera, se amarrava no carinha do led zeppelin e no carinha do pink floyd. o kiko tocava violão e era baixista. num futuro proximo eles teriam uma banda chamada impadinha de jiló.

o kiko eu não lembro, mas o fernando trabalhava de caixa em algum banco. lembro o dia que ele largou o emprego, fez uma tattoo no braço e disse que nunca mais iria trabalhar num emprego desses.
eles falavam muito num tal de baixo gávea que a turma deles se reunia lá direto.
logo logo eu estaria frequentando esse lugar praticamente todo dia.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

X-9

do colegio rio de janeiro lembro muito de muita gente. eu tinha aquela coisa de falar com todo mundo. do servente ao diretor, inspetores, professores e o pessoal da cantina tambem.
na sala de aula eu era amigo dos cdfs, do pessoal do fundão, das patricinhas, dos playboys, dos atletas, cara eu falava com geral. eu era aquele que todo mundo sabia quem era. o cara de cabelo esquisito que anda com calça rasgada. até os professores me chamavam de kadu.

em algum momento, eu pedro tibau e um outro resolvemos montar uma radio no colegio. pra ouvir um pouco de musica durante o intervalo. e não sei como o pessoal da diretoria deixou. ficava onde seria um laboratorio de fotografia, no ultimo andar do predio. obvio que fizemos festinhas, alguem fumou maconha. a gente tocava o terror.

passava as tardes lá, afinal era o meu som que tava lá. era muito bom ouvir som alto. chamava-se radio ética. ética por conta de uma musica do finis africae. depois disso acabei indo pro colegio peixoto, que ficava pertinho, na gávea mesmo, só que era supletivo e era de noite.

e de repente veio o plano collor.
PQP!!!
cara, o cara ROUBOU o dinheiro do brasil inteiro e NINGUEM fez nada. ele disse que seria pra pagar a divida externa e que com o tempo devolveria aos poucos. ate acho que ele devolveu mas sem os juros devidos, tipo 100 reias voltariam como 10 reais, ou algo assim.

meu pai tinha se aposentado e tinha guardado o dinheiro na poupança, assim como TODO MUNDO fazia. foi uma epoca bem dificil pra todo mundo. não vou lembrar direito mas as pessoas tinham direito a X por mês, sendo que esse X era bem pouco. meu pai teve que renegociar a mensalidade do colegio, fazer uma conta no boteco da esquina pra poder comprar cigarro e pra poder comprar pizza. vivi de pizza. foram dois anos muito dificies pra todo mundo

foi nessa epoca do peixoto que namorei uma menina chamada Anne Marie. posso dizer que ela foi a minha primeira namorada. mas era namorinho de portão, tipo a gente ficava no colegio pra lá e pra cá e só. ela dizia que se o pai dela soubesse de mim que não ia deixar rolar. não tinha como encontra-la fora do colegio. era uma coisa proibida. imagina eu todo punk, sem um puto no bolso. e ela a  mina que ia todo dia de carro pro colegio com motorista. ela que me bancava os cigarros, me dava grana pra comer, enfim, eu era quase um pimp!

acabou que sai do colegio porque o diretor queria que eu fosse X-9 dele. na epoca tava começando a rolar o movimento de impeachment do presidente. a gente tinha um gremio no colegio rio de janeiro no qual fazia parte, mesmo não sendo mais do colegio, eu tava lá todo dia.
lembro claramente do S.Peixotão me apresentando à mulher dele falando que ela tinha uma peixada na Som Livre, eles sabiam da minha intenção de ser musico.

aquilo tudo me dava nojo. a coisa todo dos boyzinhos do colegio. tinha ate um carinha que era parente do Ivo Pitanguy! ele foi apenas um dia no colegio. alguem me contou que ele pagou pra ganhar o diploma e nunca mais foi no colegio. o famoso esquema PPP - papai pagou passou.
que fase!

quarta-feira, 27 de maio de 2020

fazendo amigos

luisinho estudava na minha sala, tocava bateria e me aplicou no the police. morava em são conrado e de vez enquando juntava uns amigos pra fazer umas festas no play.
nessas ele me apresentou o guto e o luis moraes. 
o guto teve importancia vital na minha vida de adolescente. ele veio com varias informações sobre essa galera de brasilia. não lembro se ele tinha parentes por lá mas sei que ele tinha varias fitas demo. tipo ele ia pra lá passar ferias e voltava sempre com alguma coisa nova.
o luis moraes, tambem tinha informações sobre o joy division entre outras bandas alternativas da epoca. foram eles que me aplicaram no dito som alternativo tipo the smiths r.e.m. sisters of mercy etc. a gente sempre trocava fitas do programa "novas tendencias" do dj jose roberto mahr. e era interessante porque eles não tinham visual, eram pessoas "normais", tipo calça jeans camisa de banda camisa de flanela all star. all star sempre!

o luis foi fazer intercambio na gringa e tinha acabado de sair o "strangeways here we come", ultimo disco do the smiths. enquando eu e o guto ficavamos ouvindo no programa do ze roberto, ele mandava pedaços da capa do disco atraves das cartas (sim, somos da epoca das cartas, como diz meu amigo rodrigo)
e foi o guto que me levou a primeira vez ao circo voador. devia ser algum show pleberude/colera com certeza. ele tinha a coisa de ser cinefilo. tipo me levou pra ver varios filmes do stephen king robert zemeckis  george lucas era deus!

o xande e o leo  foram os que me aplicaram no the cure b-52s oingo boingo. a gente tinha o u2 como interesse em comum. era legal porque o léo tocava piano/teclado desde de pequeno e tinha uma casa bem legal no alto do humaita/jardim botanico. lembro que o luisinho levou a bateria dele pra lá e ficamos fazendo mo zona. o irmão dele era campeão de surf na gringa e sempre vinha com varias fitas cassetes de lá. new order ultravox the cure dead kennedys entre outras coisas. a gente ouvia direto essas fitinhas.

o leo foi pra inglaterra e me trouxe de presente um picture-disc do sex pistols e uma camisa amarela laranja branca com aqueles escritos tipo filth and fury do sex pistols.
foi com essa camisa que fui no show da siouxsie and the banshees no clube monte libano, na lagoa, final de 1986.
andando pela fila pra ver se via algum conhecido, encontro cris, xande, paty e ester. a cris era a unica mina punk do colegio. a gente não se conhecia e nem nunca tinhamos nos falado. não lembro quem se falou primeiro, mas foi assim que nos conhecemos.

finalmente eu ia encontrando os meus iguais.

terça-feira, 26 de maio de 2020

ah, seu eu soubesse lhe dizer

aos 15 anos eu já fumava cigarro e fumava maconha.
não lembro se já tinha tomado o meu primeiro porre, mas com certeza eu tinha cheirado benzina. que treco horrivel. lembro que via tudo em 3-D, e que tinha um gosto horrivel. alguem me disse que era derivado de petroleo, dae nunca mais. lembro que foi nessas festinhas do colegio.

foi nessas festinhas de colegio que tomei o meu primeiro porre - batida de coco. argh, aquela coisa doce que voce não sente, só que quando voce vê, voce está completamente sem o controle de nada, ate a sua voz fica mole.é horrivel.

lembro tambem de uma festina que um amigo da minha rua me chamou pra ir. ele tocava bateria e a banda dele ia tocar na festa. festa? que festa? passei a noite vomitando o mundo nos jardins da casa. não sei direito como voltei; a mãe dele me trouxe ate a porta de casa. e a vergonha no dia seguinte? acho que só pedi desculpas e nunca mais os vi.

acho que no começo eu bebia de raiva. tipo eu não curtia que os meus pais bebessem, sempre tinha briga. eu sempre relacionei a bebida com brigas e discussões.
sei que entendi que o beber tambem tinha essa coisa de se "soltar", de ficar um pouco mais desinibido.

sempre muito timido, eu não dançava, eu não saia, ficava no meu mundinho. festas só se eu conhecesse quase metade das pessoas. era quando me sentia seguro, tinha esse problema de achar que as pessoas não iriam me aceitar, eu era o "diferente", tinha essa coisa do cabelo, das roupas, dos alfinetes, do proprio gosto musical.

era dificil ser adolescente pra mim. até porque eu não achava os meus iguais. e dále de beber pra me sentir um minimo bem com tudo aquilo que me estava em volta.
a foda toda é que voce vai se acostumando com essas situações. então o beber fica associado à socialização do mundo. voce fala pra caramba, voce quase vira uma outra pessoa. pra não dizer que vira totalmente outra pessoa, voce não é mais voce!
então pra alguem que ouvia a novela pra poder contar pra outra pessoa, mesmo não tendo visto a novela, voce ser uma outra pessoa, era fácil.
não tou falando que eu era mentiroso, não é isso. é apenas assumir pra voce uma pessoa que voce não é.

acho que foi por isso tudo que as letras da legião urbana e do escola de escandalos bateram forte na minha cabeça. a coisa do "nos seus sonhos tudo era perfeito" ou "voce com suas drogas e as suas teorias e a sua rebeldia e a sua solidão" ecoavam na minha cabeça direto.
a coisa da leitura do livro da christiane F. tambem era foda. a coisa da droga.

acho que na verdade eu só queria encontrar os meus parecidos, as pessoas que pensanvam como eu. acho que eu só precisava achar a mim mesmo

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Nina

minha vó se chamava Dona Geralda.
chamo de minha vó porque eu só tive uma. mãe do meu pai. 
da parte da minha mãe, só tive meu avô, pai da minha mãe. nunca quis me conhecer. nem eu queria conhecer ele tbm, vá pá porra.

enfim, minha vó morava com a gente. ela morava no chamado "quarto de empregada", um quartinho pequeno que era perto da cozinha. ela e um cachorro vira-lata de nome lulu.
eu a chamava de Dona Nina. meu avô paterno que não conheci, a chamava de Dona Ninon, um apelido carinhoso das antiga. meu avô era portugues e minha avó mineira.

fiz o jardim da infancia até a antiga quinta série no mesmo lugar, escola municipal pedro ernesto, perto da lagoa. minha vó trabalhava lá de servente. ou seja sempre estive sob o olhar dela. 
não vou lembrar exatamente quando e de que ela morreu, mas lembro muito bem dela.
passei muitas tardes com ela vendo TV, conversando, sempre muito atenciosa comigo. coisa de vó mesmo. ia na feira com ela, essas coisas todas.
lembro que ela não gostava muito da minha mãe, falava maus escondido.

muito tempo depois, eu conheci uma garota de nome nina. ela foi o meu primeiro amor de verdade. obvio que dei mole, tipo acabei vacilando com ela. isso virou uma coisa comum com o tempo, o de vacilar com as namoradas. ok, umas vacilaram comigo tambem, mas com a nina eu dei mole. 
a nina foi a menina que me disvirginou.
a gente se conheceu porque ela namorava uma amigo meu. na verdade quando eu o conheci eles estavam separados. depois voltaram e separaram de novo. quando a conheci não imaginava que ia me apaixonar por ela. eu com 18 ela com 14/15. 

a nina me deu autoestima, eu não acreditava que poderia ter uma namorada bacana como ela, na real eu não acreditava que poderia ficar com ninguem! ela não foi a primeira pessoa que eu fiquei, mas foi a pessoa que me deu essa autoconfiança. 
de vez em nunca a gente se encontra. ela virou cantora. tem uma filha linda de nome cora.

uma amiga quase teve um filho meu, na verdade uma filha!
ela adora dizer isso, por isso que estou escrevendo - essa é minha filha, que poderia ser filha do kadu!
a gente ficou umas vezes e demos mole, tipo transamos sem camisinha direto.
um dia ela me liga e diz que esta gravida, pergunto se é meu ela diz que existe uma grande possibilidade. e some. 
nessas que ela sumiu eu realmente acreditei que pudesse virar pai.
vários cabelos brancos aqui nasceram nessa epoca.
e eu só pensava em como ia ser o eu pai. tipo como ia fazer pra construir uma vida pra ela, pensava em colegio, natação a porra toda.
e sei lá porque tinha certeza que ia ser menina.
um dia meses depois a mina aparece dizendo que não era meu, que era de um outro malandro ae.
fiquei maus, tipo agora eu queria que fosse minha. mas ok, vi que não ia ser capaz de criar um filho, isso tudo foi um pouco antes de encaretar. eu tava muito maus nessa epoca.
esses dias falei com a menininha por telefone.
ah, o nome dela? nina. 

ontem reencontrei uma velha amiga, amigona mesmo, das antiga, a cris. batendo papo ela disse que os filhos dela estão enormes, o guigo com 18 anos e a nina com 16!

enfim. nem sei porque que resolvi escrever isso hoje, mas é porque acho isso tudo legal.
o mundo roda roda roda voce vai lá no japão e quando voce ve, volta tudo pro mesmo lugar. 
não acho isso ruin não, só tou constatando. 
na real acho mó barato.



domingo, 24 de maio de 2020

nas ruas é que me sinto bem.

ontem eu li um texto de uma amiga que passou a infancia em realengo e troquei uma ideia com um broder que passou a infancia no catete.
é muito legal essa coisa da rua. do aprendizado que a rua te passa e que em nenhum outro lugar voce aprende certas coisas.
e não é só as brincadeiras, é todo um conceito.

quando trabalhei no circo voador algumas pessoas diziam - voce não tem medo de andar por ae não? e eu falava que não era uma questão de medo, é saber onde andar e como andar. voce tem que saber respeitar por onde voce está passando.
é claro que de vez enquando voce fecha os olhos e só vai, mas sempre com um olho meio aberto.

voltando à infancia.
em algum momento nesse blog eu falo sobre uns clubes sociais que ficam  perto da avenida beira-mar,  entre o museu de arte moderna do aterro do flamengo e o aeroporto santos dummont. são uns 4 clubes. cada uma com a sua caracteristica. um era o vasco, outro boqueirão do passeio, o clube internacional e um outro que não lembro o nome

acho que isso foi depois da historia do natal na casa do tio jorge.
meus pais começaram a frequentar praticamente todo final de semana o clube internacional.
tinha piscina, sauna, mas o legal mesmo era o futebol. sim, em algum momento eu joguei futebol quase todo finde. eu já meio que saia de casa com meião, camisa de time, só não tinha chuteira. e voltava todo sujo mulambento mas feliz.
tinha a coisa de comer marisco nas pedras junto à baia tambem.

mas uma das coisas mais legais era o soltar pipa. aprendi a fazer pipa, fazer a rabiola, fazer o cerol, aprendi a cortar, e a sair atras da pipa quando estancava. aprendi a atravessar as ruas movimentadas do aterro sem olhar pros carros indo pra onde a pipa fosse.
e tinha briga discussão, tinha os moleques maiores, tinha os maloqueiros, tinha de tudo.
e é nessa hora que voce vai aprendendo a ser safo. ou então voce ia pra barra da saia da mamãe chorar.

eu já vinha de toda uma esperiencia em questão à rua. por conta que passei um tempo indo direto pra casa das minhas tias na glória. ali era uma molecada que ficava fazendo mó zona ou entre os predios ou na rua mesmo.
vi toda a historia do nascimento do metro da gloria. a gente invadia o metro de noite e ficava brincando com os vagões de treinamento, ou brincando com os extintores de incendio, ou fugindo do vigia. 
a gente invadia terreno baldio, xingava a dona-louca que morava lá, a gente só fazia merda.

um dia eu e minha prima fomos de metro até a cinelandia. quando inaugurou o metro tinha umas 3 estações eu acho. era tipo catete, gloria e cinelandia. a gente com dinheiro pegamos e fomos dar comida pros pombos. passamos o dia e quando voltamos a porrada estancou. tipo não apanhei porque meu pai não me batia, mas minha prima se deu maus.
invés de bater meu pai tentava trocar uma ideia. minha mãe não curtia essa coisa não, por ela eu apanharia direto, mas meu pai era de outra politica.
nessas ele me deu um relogio e me fez aprender a ver as horas. e disse - quando eu falar pra voce estar as duas horas em casa é pra estar as duas horas em casa!

essa coisa de rua sempre foi um aprendizado fudido. acho meio chato que hoje em dia é mais dificil isso tudo. entendo que tem outras coisas e maneiras de voce entender a vida de criança, mas sei lá, predio, playstation, condominio, shopping, etc não é e nunca vai ser a mesma coisa que brincar na rua. mas cada um cada um

até mesmo depois, na fase adolescente eu tive a minha turma da rua. a rua visconde da graça tambem foi um aprendizado fudido que eu não teria em nenhum outro lugar.
acho que é por isso que ando tão tranquilo por ae.
sim, é um olho no gato e outro no peixe, mas tem que ser assim.
é o respeito que voce passa que é o respeito que voce receberá.

e vamo que vamo.


sábado, 23 de maio de 2020

baixou a pressão!

aproveitando que falei do marcio parafina, ele e um outro broder chamado alexandre, mas com um apelido que ele não gostava muito, preá, apareceram aqui em casa de dia - vamo no hollywood rock?

isso já é janeiro de 88, eu então com 17 anos.
ok, sei que dei um pulo na cronologia, mas eu volto depois.

os shows eram paralamas do sucesso, UB40 e simple minds. o simple minds era o que ninguem fazia questão de ver, o "iubi" era o lance.
o parafina apareceu aqui em casa com o carro com a frente batida, eles bateram antes de sair de casa! a historia começa assim. isso devia ser umas 14h.
e lá fomos nós pra apoteose com todo mundo olhando o carro batido. não tinha como não ver, levantou o capô do carro. tava foda.

entramos e fomos comprar uma cerveja cada um. e dále MALT 90. era a cerveja patrocinio do evento, a famosa, malte nojenta. detalhe - quente!
 daqui um tempo o parafina ja tava filando um baseado de alguem e me botou na fita.
começa o show do paralamas. não vou lembrar direito mas lembro que foi muito bom. paralamas sempre foi muito bom de show, sempre gostei. lembro que a metaleira do UB40 deu uma canja no show. no intervalo da troca de bandas, mais um baseado.
e começa o show do UB40. lembro do Ali Campbell segurando uma lata e perguntando naquele portugues tosco - voces gostar da lata?

do nada minha visão fica turva. olho pro marcio e falo - cara, minha visão tá estranha, ele não diz nada, olho de novo pra ele e não vejo mais nada. abro o olho tá todo mundo me olhando porque eu tinha desmaiado e ido ao chão.
aquele bando de voz - e ae, tá tudo bem? levantei e falo pro marcio, cara, to maus. dae ele me pega e vamo em direção às laterais da apoteose afim de achar algum posto de emergencia.

e nessas eu caio mais uma vez no chão, e outra e outra. numa hora levantei e o marcio não estava mais lá. alguem me pega pelo braço e me leva pro lado do palco. e isso eu muito maus.
só que pra surpresa nossa, lá era apenas os bombeiros. o posto médico ficava do outro lado. ficaram fazendo perguntas tipo o que eu tinha feito que não conseguia ficar em pé, ficaram vendo se eu tinha marcas de picada no braço, enfim, me colocarm numa maca e lá fomos nós até o posto medico de maca atravessando todo um hollywood rock.
cara, todo mundo gritando que era pra abrir caminho porque "um morto" tava passando.

chegando no posto medico vi de tudo, gente muito louca, gente desmaiada, gente gritando, gente meio morta, sei lá. sei que me enfiaram uma agulha com glicose e desmaiei de novo.
devo ter ficado horas dormindo porque acordei meio que no final do show do simple minds.
sai do posto medico e dei de cara com o parafina e o preá - onde voce estava? estávamos te procurando! tentei explicar o que aconteceu mas achei que era melhor a gente só ir embora.

o efeito malte nojenta + baseados + sem comer nada o dia todo + sol na cabeça o dia inteiro = pressão baixa.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

MACONHA

o fabiano veio de são paulo. ele tinha um visual meio pós-punk com um topete todo arrepiado. o marcio parafina como o nome diz, tinha o cabelo loiro parafinado, era um surfista que só pensava em ir pra praia pegar onda. e eu o punk dos tres. juntos a gente andava pra lá e pra cá no colegio. era engraçado porque olhando assim, um não tinha nada a ver com o outro. e o pior é que a gente trocava varios sons e ideias. éramos os repetentes, os mais velhos. e viviamos colados.
só na hora de ir embora do colegio é que eles dois iam juntos e eu ia pra casa.

não lembro qual foi a treta em casa que um dia eu cheguei nos dois e falei: eu quero fumar maconha!
eu sabia que eles fumavam e eu já meio que sabia de tudo que acontecia em relação à droga, só nunca tinha fumado. sempre nos shows eu ficava sentindo o cheiro do beck e curtia muito. achava gostoso o cheiro. tem gente que passava maus, eu adorava. mas como aqui em casa era todo mundo careta em relação à isso, não se podia falar o nome.
em algum lugar do passado tinha tido uma treta com um tio em relação à droga, tipo ele foi pego numa boca de fumo e levou um tiro no pé, acabou aleijão pro resto da vida e meio que desgraçou a historia toda, mas vou deixar pra contar isso uma outra vez.

enfim, um dia cheguei e pedi pra ir fumar um com eles. eles riram e perguntou se eu tinha certeza do que estava fazendo. eu disse que era naquele dia ou nunca!
aos quinze anos eu já tinha lido e relido o livro da christiane F. várias vezes, como todo mundo da minha geração. tinha aquela coisa do efeito ao contrario que o livro faz, dizem que ele foi idealizado por uns medicos por conta de que muitos adolescentes alemães estavam se drogando muito e morrendo de overdose. como era uma historia romantizada, virou um best-seller e não surtiu o efeito que queriam. alias, muitas pessoas que liam o livro meio que acabavam que queriam experimentar as drogas. pelo menos esse foi o meu caso.

não lembro se eu já tinha tomado o meu primeiro porre, mas sei que eu já fumava cigarro. teve a coisa de cheirar loló e benzina, mas eu realmente não lembro que droga veio primeiro. só sei que eu queria porque queira fumar maconha naquele dia.

e fomos os tres pra casa da mãe do marcio no leblon.
coitados, primeiro eles apertam um tora, fumamos  e em mim, nada acontece. fico ali reclamando que nada aconteceu. eles vão e apertam outro. nada. rola um terceiro e nada. eles rindo sem parar e eu com aquela cara de tacho. fiquei puto e fui embora. óbvio que eu devia ter ficado doidão, só que não bateu do jeito que eu achava que ia bater. normal, acontece esse tipo de reação com algumas pessoas.
só que eu não sabia.

depois dessa experiencia desastrosa eu deixei um pouco isso de lado. acabei fumando mais umas poucas vezes e nada.
no aniversario do paulinho, num sitio em petropolis, foi a primeira vez que bateu.
e foi mó doido. eu tavo ouvindo um disco do pink floyd no walkman e de repente comecei a gritar que vinha um trem. e todo mundo começou a rir, tipo - tira o fone do ouvido, não tem trem nenhum!  hahahahahahahah

depois disso comecei a fumar com mais frequencia.
no começo eram um ou dois que fumavam na rua, depois virou tres ou quatro.
tinha um cara que já tinha sido pego pelos pais, não lembro da historia direito mas sei que ele tinha sempre bagulho em casa. foi na geladeira dele que vi pela primeira vez 3K de maconha. isso porque antigamente a maconha que tinha no rio era solta, eram os famosos camarões.

era a epoca que ficava na rua até tarde, e sempre juntava uns tres quatro à espera desse cara chegar em casa pra ver se ele arrumava um pra nós pitá. e sempre rolava.
um dia, do nada ele vem com um fumo novo, diferente. era algo entre o solto e o prensado, uma coisa bem diferente do que a gente tava acostumado a fumar. e foi um pancadão só. eu apelidei de mike tyson. o lutador era a novidade da epoca. nenhuma luta durava mais que dez segundos e o oponente caia no chão por nocaute. era mais ou menos assim quando voce fumava esse bagulho novo.
esse amigo da gente falava que uns amigos dele iam pra praia de manhãzinha, ainda de madrugada quando ainda não tinha saido o sol. e ficavam esperando o sol refletir algo no mar. dae era aquela coisa de ir até onde brilhava, pegar a parada e sair correndo pra fora da praia em algum lugar seguro.
eram as famosas latas recheadas de maconha.

sim meus amigos, eu fumei MUITO a maconha da LATA.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

diXco

eu já os tinha ouvido muito na radio fluminense. tinha várias demos gravadas. a coisa toda das bandas de brasilia invadiram total o meu mundo. não era só a legião urbana. era o escola de escandalos, o finis africae, os 5 generais, o obinashok, o detrito federal, a plebe rude.
tinha as bandas de são paulo tambem e vinham atraves de discos independentes, o voluntarios da patria, o smack, a coletanea não-são paulo, as mercenarias, fellini, violeta de outono, zero, patife band, o rockabilly do coque luxe, kães vadius
aqui no rio é que a coisa era um pouco mais dificil.das poucas coisas que eu curtia o paralamas. gostava do joão penca e seus miquinhos amestrados. tinha o kongo, o hojeriza.
do sul eu praticamente só conhecia um tal de urubu-rei, que depois viraria o defalla.
demorei pra gostar do barão vermelho. achava o picassos falsos aquela coisa meio jim morrison-cartola meio estranho. e sim, as primeiras coisas do capital inical eram muito boas de verdade.

tudo isso era meio que pós-punk. tudo meio existencialista, tudo falava algo que eu precisava ouvir na epoca, principalmente quando se tem 15 anos e em crise.
dessas bandas todas a legião foi a influencia mais direta. eles vinham da coisa do punk, do do it yourself total. eles tinham fanzine, demotape, botton, camisa, tinham publico, tinha um passado. tinha a indentificação com o joy division, a coisa toda da geração coca-cola.
lembro ate hoje o dia que comprei o primeiro disco da legião. frequentava a gramophone, uma loja que tinha no shopping da gavea. magal, um vendedor amigo disse, kadu, chegou um disco que é a sua cara! eu praticamente conhecia metade das musicas atraves das demos que tocavam na radio. uma ou outra eu torci o nariz porque estavam muito limpinhas. tipo "a dança", "ainda é cedo", a propria "geração cocacola", mas era aquela coisa de disco né, sempre a gravadora dava uma limpada no som pra poder tocar nas outras radios.
a plebe rude tambem foi uma grande influencia. já os via em shows junto com o colera no circo voador, tinha uma sequencia plebe-cólera que pra mim foram varios shows.
e eu os via direto na gavea, eles vieram morar do lado de onde eu estudava, então sempre os encontrava. e tinha aquela coisa deles sempre andar com aquele visual meio punk da epoca, eram faceis de reconhecer.
tinha o escola. o escola de escandalos foi a unica banda de brasilia dessa leva que não gravou um disco. rolava demo direto na fluminense. "popularidade" virou meu hino! tinha uma coletanea chamada rumores com 4 bandas de brasilia. o detrito federal me divertia muito com a coisa do punk roots, mas pra mim era como se eu já tivesse passado por aquilo. o finis africae era muito legal. o elite sofisticada não me chamava a atenção, mas o escola era muita coisa.

com essa influencia toda, comecei a andar com o visual que essa galera andava tambem. imagina no calor do rio, voce de coturno, calça jeans rasgada, camisa branca com uma camisa de flanela por cima, e cheio de alfinete pra tudo que é lugar.
e ainda tinha uma coisa interessante, eu não falava o carioques normal. eu sempre desde de moleque falava as palavras certas, tipo falava tOmate, diSco, naScimento, e não tUmate, diXco, naIscimento, eu não tinha esse X que o carioca coloca nas palavras. depois que voce mora em outro estado, quando voce volta é que voce nota essa coisa. tipo aqui voce abre a boca e naturalmente já vem um chiado.
com o tempo comecei a ter que forçar o X. diXco. era foda porque sempre tinha aquela pergunta, voce é da onde? eu já tinha o visual diferente, o sotaque, tipo era de outro planeta né

quarta-feira, 20 de maio de 2020

mundo cinza.

conforme voce vira adolescente tudo vai adquirindo novas formas de ver o mundo. normal né.
aos 15 anos voce vai tentando compreender melhor o mundo em sua volta. os amigos, a escola e principalmente a musica.
musica sempre fez parte da minha vida. sempre me acompanhou. e fez com que tudo tivesse um outro tipo de olhar.

em algum momento o ratos de porão virou "metal". o tal crossover que viria acontecer de modo natural entre as bandas de metal e de hardcore seria tendencia. mas pra mim metal era total coisa do passado. principalmente essa coisa de solo de guitarra. lá tras era legal voce ouvir um solo de qualquer instrumento, aos 15 anos eu achava insuportavel.
então o ratos meio que vira metal.

ataque sonoro é uma coletanea punk produzida pela ataque frontal, selo do redson da banda colera.. nela varias bandas punk da epoca, porem umas coisas não me bateram bem. primeiro foi a musica do ratos que já se indentifica o crossover do metal com o punk. segundo foi a inclusão de uma musica do garotos podres e do virus 27, pra mim bandas de "careca".
mas tinham varias pérolas tambem, como o grinders que era skate-punk, o lobotomia, o armagedom, espermogramix e outros.
o proprio colera vai ficando meio que messianico demais. os shows começam a virar mais falatorio do que musica mesmo. era legal a coisa do pela paz em todo mundo, entendo que era impotante, mas como disse, voce aos 15 anos, não quer saber muito de panfletismo,  o grito na epoca era  - MAIS RAPIDO!

dae alguem aparece com um tal de the cure, siouxsie and the banshees, agent orange, violent femmes, bandas que são muito divertidas e ao mesmo tempo que diziam algo que voce queria ouvir.
nessa epoca eu já fazia aula de ingles e muita coisa eu já meio que entendia de outra forma.
o pós-punk caiu na minha cabeça como uma bigorna. mas sempre tudo relacionado à musica.

pode parecer contraditorio a questão do colera, mas pra mim era muito esquisito a coisa de ficar metade do show falando sobre a não violencia, a coisa toda da proteção do verde. pra mim era NO FUTURE, era a devastação do mundo, tipo o mundo vai acabar, entende?
então ouvir the cure pra mim era um obvio. ouvir alguem falando sobre um caso de amor que não deu certo era tudo.

a crise existencial aparece de repente
o mundo ficou cinza. deprê.

terça-feira, 19 de maio de 2020

virgem até os 18!

tinha essa coisa pela prima do léo feijó que não era uma paixão, talvez uma admiração mesmo, essa coisa dela adolescente rebelde, ela devia ter uns 16 anos, a coisa dela ser mais velha e de alguma maneira de nos dar atenção. eu era muito moleque quando o léo veio morar aqui no meu predio.
mas nunca passou disso.
as meninas que brincavam aqui tambem eram muito novas. todo mundo era muito novo, ninguem tinha maldade ou algo assim.

lembro que a minha familia frequentava uns clubes que tem perto do MAM, no final do aterro do flamengo, quase perto do aeroporto.
lá tinha uma menina que eu gostava, mas nem lembro o nome dela, paixonite de verão talvez. lembro duma mina que ficava se esfregando nos meninos. mas não passava disso. era sacanagem mesmo, ela se esfregava no pau dos meninos, mas a maioria ainda era criança.

sempre tinha uma outra menina do colegio que voce ficava afim, mas eram paixões platonicas; era aquela coisa que a meninas nunca ficariam com voce, elas queriam os meninos mais velhos.
vivi muito essa coisa bem adolescente dos anos 60, o menino gostava da menina mas nada acontecia. normalmente ele era levado por um irmão mais velho ou um tio prum puteiro pra "virar" homem.
a menina era virgem até ela arrumar um namorado. dae era aquela coisa que ela queria dar, ele queria comer, mas não podia.
tinha a coisa da mina que "já deu pra todo mundo", a famosa piranha; essa ninguem queria namorar, só comer.
isso tudo era uma babaquice só, coisa remanescente dos anos 60, 50, sei lá. parecia que não houve a tal revolução sexual, ou se houve era coisa de comunista.

tinha uma menina que morava na praça aqui do lado de casa, se chamava isabela. essa era "a piranha da praça". acho que ela era filha da empregada, algo assim. lembro dela sair com um carinha de moto, ela vinha e me contava que era apaixonada por ele mas que ele não queria nada sério. eles iam pro parque lage e ficavam de sacanagem por lá. o parque lage uma época era meio que abandonado, não tinha um orgão, ninguem que tomava conta, então de noite virava o "motel" da galera. isso porque tinha estupro e os caraleo lá dentro.
a gente ficou amigão. mas todo mundo me zuava porque eu era amigo dela. e vinham os amiguinhos perguntar se eu tava comendo, eu dizia que não, que era só amigo mesmo e todo mundo me zuava.
a gente conversava muito sobre sexo, amizade, masturbação, essas coisas de adolescente mesmo. ela sabia que eu era virgem e queira me comer. mas eu tinha esse sonho de transar apenas com a pessoa que eu gostasse de verdade. achava tudo muito fugaz, tudo muito qualquer coisa. como eu disse, a gente vinha dessa coisa de anos 50 pra baixo, então eu achava aquela coisa do "ficar" uma verdadeira babaquice. e nem era, mas na minha cabeça eu achava escroto um cara pegar a mina, ficar e depois dispensa-la como se nada tivesse acontecido. eu tentava ver o lado das minas.achava os meninos muito playboy ao ter esse tipo de atitude.

um tempo depois, já em outra turma, fiquei apaixonado por uma menina irmã de um amigo da visconde da graça. essa historia todo mundo sabia. eu tinha me declarado algumas vezes pra ela e nada. virou aquela coisa platonica. durou anos, mas todo mundo sabia. era ate engraçado. uma amiga uma vez me pediu pra eu tirar a roupa, eu fingi que não ouvi e ela meio que deixou de lado.
eu realmente queria que a primeira vez fosse com alguem que eu amasse de verdade mesmo.

aos 16 anos, conheci uma mina num show dos paralamas no estadio de remo da lagoa. foi um show foda, eles estavam voltando de uma tour pela argentina, comemorando o sucesso do disco selvagem.
foi a primeira vez que dei uns beijos na boca de alguem.ela era de brasilia e estava de ferias com a familia aqui no rio.ficamos de nos ver de novo porque tinha sido muito bom e queriamos mais.
passei uma semana direto indo pra barra, ela tava hospedada no barramares.
foi o meu primeiro "contato" com brasilia. eu sempre tive essa coisa com brasilia, anos depois descobri que quase fui de brasilia, meu pai tinha sido chamado pra ir trabalhar lá na formação da cidade. ele foi, achou aquela terra vermelha muito estranha e resolveu que não ia pra lá. talvez eu tivesse sido dessa geração coca-cola que veio depois, ainda bem que não, até porque eu os conheceria de qualquer forma e que fariam parte da minha vida.mas isso é uma outra historia.
com essa menina de brasilia quase rolou um sexo. a gente tinha aquele tesão de adolescente que fica com o saco doendo depois de tanto amasso. rolou um peito, mas só ficou nisso.
teve muita troca de carta depois, ah sim, sou "da epoca das cartas" como diz um amigo meu.
ela disse que a gente não podia manter esse "namoro" porque na verdade ela tinha um namorado em brasilia. ele tinha uma banda lá, um tal de "filhos de menguele"

um tempo depois comecei a namorar uma mina do colegio peixoto. era aquela coisa de namoro de colegio, nada aconteceu. a mina era podre de rica. anne-marie. ela bancava o meu cigarro, eu não tinha dinheiro, e com isso acabei saindo do colegio.epoca do governo collor.

até que conheci a carmen. mas ainda não era a hora. a gente se curtia e tudo, dormia junto e tudo, mas eu mantive a minha palavra de não transar antes de saber se a gente se amava de verdade. acho que nessa hora a coisa todo já tinha virado medo. sei lá medo de que, talvez de decepcionar ela ou de me decepcionar, eu realmente tinha perdido o fio da meada.

até que veio a nina. todo mundo sabe dessa historia. sim, ela me comeu. ela com 14 eu com 18. e foi MUITO bom.
sabe, vou dizer que valeu a pena segurar essa onda toda ate os 18. a nina foi muito especial pra mim. ate hoje quando a gente se encontra, vejo que temos um carinho especial um pelo outro. ela sabia que eu era virgem e que foi ela que me comeu primeiro.

devo confessar que depois o sexo virou meio que uma coisa banal. tipo existia fazer amor, mas existia a coisa só da sacanagem. e isso durou bastante tempo ate eu entender que sexo é MUITO importante.
tem um tempo que tou nessas de sexo só por amor. existe o sexo pela amizade tambem, o famoso pau amigo. mas a coisa só por fazer eu prefiro ver um filme, escutar uma musica. acho que o beijo, o carinho, isso tudo faz parte de algo maior.

como eu disse um post antes, roda, roda e parece que voce para no mesmo lugar.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

festa na floresta

cara, acho que os shows mais legais da minha vida foram no Parque Lage. não pelo os shows em si, mas pelo lugar mesmo. nem vi tantos shows e nem foram muitos, mas a mágica do lugar. pode ate ter sido pelo cheiro de maconha que era muito, muitas vezes eu ficava na parte de cima só pra sentir o cheiro, eu não fumava, tinha uns 14 anos ainda.

não vou lembrar de todos os shows, mas vi muita coisa legal. lembro do escola de escandalos; do kongo ainda da primeira formação com os alemães; vi o jards macalé sendo barrado num show do camisa de venus, eles tocavam uma musica dele.
vi 14 bis; vi barão vermelho com o cazuza doidão; celso blues boy; robertinho do recife; vi o paralamas lançamento do passo do lui. esse show foi foda, achei que a madeira por cima da piscina ia cair. voce parado voce se movia.
vi o lançamento do vamos invadir a sua praia do ultraje a rigor. o parque lage inteiramente lotado. tipo acho que uma ou outra musica do disco que não tocava na radio, o resto das 11 musicas tocavam todas.
era demais essa epoca.

lembro que sempre passava na tv um show do caetano gravado lá. a musica era shy moon e como era aberto o parque lage, não tinha teto, o caetano olha pra cima e tá uma lua cheia linda. nem curto o caetano, mas esse tipo de coisa só lá mesmo.

anos depois fui descobrir que uma das mentoras do projeto "festa na floresta" era a maria juçá, que depois foi pro circo voador e que anos depois virou minha chefa.
conheci a juçá numa noite no baixo gávea, o maurição foi quem me apresentou.
anos depois nos reencontramos no circo eu já de roadie.

o muito louco de tudo é que muita coisa vai se encaixando durante a minha vida.
roda, roda e vamos indo parar no mesmo lugar.

joguei as cinzas do meu pai no parque lage, perto do laguinho lá de cima.
sempre que posso, vou lá trocar uma ideia com ele. sei que é um monologo, mas é mó bom. energizante.

desde de pequeno que vou no parque.
minha mãe contou que logo que a gente veio morar no jardim botanico que a gente ia lá. nós eramos muito pobres, não pobre, mas fudido de grana, familia começando a vida, dae era uma coca-cola pros tres, cada um um gole cada.

de vez em nunca eu reunia um pessoal lá. tipo pra passear mesmo ou aniversario de alguem, ou apenas pra trocar ideia, encontrar uma namorada, levar um gringo pra conhecer o local, ...
o parque lage é muito lindo.

domingo, 17 de maio de 2020

NO FUTURE!

ontem eu não consegui escrever.

com o lembrar do passado vem junto vários fantasmas que circulam a memoria e muitas vezes é dificil o continuar.
muitos deles ficam escondidos, muitos se vão, é verdade, mas muitos ficam arquivados e sempre que algo te remete à aquilo que voce não quer lembrar, eles vem junto.
mas ok, hoje tamo de boa, mas ontem foi foda.
tem uma coisa que eu não sei detectar e quando vejo aconteceu.
essa semana conversei com muitos amigos que estão na bad por conta da quarentena, por conta dessa coisa toda de não saber do futuro, de não saber como fazer para pagar as contas, etc
galera, NO FUTURE!
ninguem sabe se vai ter futuro.
essa coisa do corona-virus é uma coisa que não tem previsão de nada. pode ser que o coquetel que a china tá fazendo dê certo, pode ser que a promessa que o Bill Gates fez de em 3 meses descobrir uma vacina dê certo, pode ser que, pode ser, pode, pode porra nenhuma!
ninguem sabe o que vai acontecer, e se descobrirem uma cura, vai demorar até chegar a voce.
então relex.
ou o que não tem solucão, solucionado está. ou pelo menos por enquanto.
a minha preocupação com o futuro é de quando acabar as frutas os legumes o macarrão, de ir comprar. ai sim é uma preocupação em ir e voltar pra casa sem virus nenhum.
fora isso, é isso ae.
não é só voce que não sabe como vai pagar as contas pra daqui uns meses, NINGUEM sabe. o MUNDO não sabe. então vamo nessa porque NINGUEM esta sozinho nessa.
super entendo a preocupação de todo mundo, eu tavo nessa no começo da coisa toda, mas vi que era isso, tipo não tem o que fazer. é sentar e tentar fazer com que a coisa seja mais facil. é ver filme, ler um livro, ouvir muita musica e tentar se reinventar.
eu comecei a aprender a fazer comida. até pouco tempo agora eu só sabia fazer miojo e só. não to o master chefe, mas aprendi a fazer lentilha, arroz, ervilha, macarrão, e to pra fazer o meu sonhado feijão.
eu to até escrevendo um blog sobre a minha vida!
a gente tem que tentar aprender a se reinventar de verdade. de aprender uma coisa nova, sei lá.

troquei muita ideia com varios amigos. tem varios que estão na merda por conta de depressão, de ansiedade, de um todo.
dae voce tenta colocar a pessoa pra cima, voce se dá ao maximo pra ver seus amigos bem. e quando voce olha, sua bateria tá lá embaixo. tipo voce gastou até o sua ultima reserva de positividade.
e é nessas horas que bate A deprê.
é nessas horas que todos os fantasmas se reunem e vem pra cima.
e como faz?

devo confessar que ontem quase fiz aquela burrada que fiz a minha toda.
um dos grandes motivos de que ia beber era que queria algo que me tirasse da depressão.
como se beber ajudasse algo...
ou me drogar até ficar total NO BRAIN. como se isso tambem ajudasse muito...
ontem foi dificil.
e eu não tomo remedio nem tenho acompanhamento médico nenhum.
quando resolvi parar com tudo foi um mês de A.A., depois foi por mim mesmo. eu comigo mesmo.
muita coisa me ajudou nesse tempo todo, mas foi um caminho bem dificil, é ate hoje.
mas é sempre UM DIA DE CADA VEZ.
sim, é um batalha diaria. muita gente não entende ou não acredita nisso. minha mãe não entendia, achava que era uma besteira da minha cabeça. acho que ela entendeu depois que ela me viu tendo uma crise. acho que ela entendeu. espero.

não tou curado e nem estou tão bem assim, mas é um dia de cada vez de verdade.
hoje tou bem melhor do que ontem, ou pelo menos passou a vontade de beber e de me drogar.

sei que esse blog é pra contar sobre as minhas memorias, meus devaneios, meu erros, meus acertos; como escrevi, um rascunho da minha vida passada, mas como esse blog é meu, escrevo o que bem entender.

me desculpem.
espero que amanhã eu volte à cronologia da minha historia.
tive que escrever isso pra poder botar um pouco pra fora o que sinto.
mas é isso ai.
TODO DIA UMA BATALHA
UM DIA DE CADA VEZ
E VAMO QUE VAMO!

fiquem bem.
um dia essa coisa toda vai passar.
e espero que a gente possa se encontrar de novo pra fazer um mundo melhor.
beijo no coração de todo mundo
amo muito voces.
k.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

30 anos de cigarro.

meu pai sempre fumou muito. não lembro dele sem cigarro. minha mãe diz que nunca fumou mas eu lembro dela com um cigarrinho na mão sim.
eu sempre disse que comecei a fumar por conta de uma foto que achava manero. eu realmente não lembro, mas lembro bem daquela sensação de tonteira dos primeiros tragos. era mó bom sair um pouco do "chão", coisa de gente adicta.
aos poucos ia roubando um cigarro do meu pai aqui, um cigarro do santo ali.
(tinha o cigarro do santo num corredor perto da cozinha, ficava meio escondido. uma vez tive que comprar um maço porque tinha fumado todo ele).
no colégio eu sempre dava um jeito de fumar, tinha um palco de teatro com uma cortina enorme. eu acendia o cigarro e ficava com a mão por debaixo da cortina, não sei como não botei fogo naquela parada. e sempre vinha alguma menininha pedir um trago.
na visconde da graça ninguem sabia que eu fumava escondido. uma vez foi mó galera na casa de uma menina que fumava, todo mundo pegou um cigarro e acendeu, de onda. a mina ficou puta porque gastamos todos os cigarros dela. e eu fumando de boa, ate que alguem reparou que eu tragava.
eu sempre fumava na janela. meu quarto devia feder a nicotina, tipo o fumante não sente o cheiro da fumaça. fumava muito no banheiro antes do banho.tanto o quarto quanto o banheiro eram devidamente banhados a desodorante pra disfarçar o cheiro (até parece que saia o cheiro, só piorava a coisa)
fora que eu sempre jogava a guimba pela janela; lá embaixo era um tal de guimba pra tudo que é lado.
um belo dia meu pai dá o flagra. ele apenas diz que eu podia fumar dentro do quarto de boa e ainda por cima me deu um cinzeiro de presente.
minha mãe que não gostou muito. eu tinha 14 anos ainda.
comecei com o galaxy, que na epoca era o cigarro que todo mundo começava a fumar, depois que viria o free, mas eu curtia esse cigarro. um belo dia foi que alguem me apresentou o famoso MARLBORO VERMELHO CAIXA.
pior que quando eu era pequeno, tinha aquelas canetinhas hidrocor que vinham numa caixinha igual ao marlboro caixa, tipo a gente já era induzido à esse cigarro
cara, foram anos e anos e anos de fumante. de MARLBORO VERMELHO CAIXA claro, ou como dizia minha ex, MARLBORÃO.

da vez que me mudei pro Bixiga, em são paulo, levei comigo uma tosse escrota que não parava de jeito nenhum. mesmo quando eu tava todo fudido de gripe, ou de qualquer coisa, eu sempre fumei, nunca deixei de fumar. eu sempre disse que quando morresse queria que alguem colocasse um pacote de cigarro junto ao meu caixão pra eu ser enterrado e não sentir falta do cigarro.

voltando ao Bixiga. eu fiquei com uma tosse uns dois meses. chegou num ponto que eu dormia e acordava tossindo. eu comia e quase vomitava tossindo, tinha dor na barriga de tanto que tossia. e fumando.sempre.
a mina que morava na casa virou um dia e disse, porra cara, voce deve estar com ou bronquite ou algo pior, vai na porra do SUS que tem aqui perto. e lá vamos nós pra famosa fila do SUS.
mas foi otimo, alem de exame dos exames de sangue eles me deram um baita susto fudido
era tava muito magro porque não conseguia comer direito, todo tatuado, pra eles do SUS, eu era praticamente um cracudo nóia. e dále exame de sangue.
enfim, depois de ir pra lá e pra cá por conta de tirar raio X, exame aqui exame ali, finalmente ia ser atendido pelo clinico-geral. acabou que não deu tempo, mas ele viu entre um paciente e outro e disse - carlos, esse lado aqui do seu pulmão tem um furinho aqui. isso aqui voce esquece, tipo já era. mas o problema mesmo é o outro lado, tá vendo essa nuvenzinha aqui, isso pode se transformar um enfisema pulmonar, dae voce já era de verdade. - mas seu doutor clinico-geraldo, como faz? ele disse que era pra parar de fumar ou pelo menos diminuir.
dae começa uma saga pra fumar menos, vi que não conseguia. resolvi começar a fumar cigarro de filtro branco, que era horrivel, bem mais fedorento que o meu velho e bom marlboro. enfim, comecei a fumar L&M light. achava aquilo tudo uma merda.

como eu parei de fumar? ah isso é uma outra historia.
eu já morando de volta ao rio de janeiro, era aniversário da Clarinha, filha de uma amiga. ela me chama pra festa dela. só que eu não tinha dinheiro suficiente pra ir pra festa. quer dizer, eu tinha ou pra passagem de buzão ou pra comprar cigarros depois. viciado é uma merda, adivinha o que eu fiz?
no dia seguinte a irmã da mãe da Clara me liga e pergunta porque eu não apareci. eu morrendo de vergonha expliquei o caso. ela me deu O esporro. na mesma hora eu resolvi que tinha que parar de fumar.

foram uns trinta aos de fumante. até hoje eu sinto que não recuperei totalmente. mas me sinto MUITO melhor. hoje eu sinto gosto da comida, o cheiro das coisas, eu consigo respirar direito.
vejo o cigarro como a pior das drogas, a droga que é tolerada em qualquer lugar.
minha mãe odeia cigarro, mas ela deixava eu fumar na janela.
sempre se dá um jeito de fumar em quase qualquer lugar. é horrivel isso tudo.
mas cada um cada um.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

rato branco

ok, som punk, pensamento punk o que mais faltava? o visual, claro.
primeiro eu pego uma camisa branca, coloco por cima do disco crucificados pelo sistema e copio com canetinha mesmo. passo dias com a mesma camisa. depois consigo uma caneta de tecido e repasso por cima o logo do ratos de porão. ué, não era do it yourself?
dae começo a rasgar a calça jeans. depois começo a raspar a lateral do cabelo com gilete. pra completar eu começo a fumar cigarro, escondido, claro.
isso tudo num mundo onde agora todo mundo gostava de iron maiden.
com a ressaca do rock in rio veio um mundo inteiro de "metaleiros" e "new wavers", se voce não era um, era outro. ou então voce é playboy
mas foi muito legal ver isso tudo de cima do muro. foi ótimo pelas questões todas levantadas. até porque o meu mundo ainda era a zona sul. e com isso fui aprendendo o que eu não queria.
aqui perto onde moro tem um clube chamado piraquê onde só se pode entrar com convite de algum sócio. tinha um pessoal da rua visconde da graça ia direto, tinha cinema dentro do clube. fui algumas vezes mas era um clube basicamente de boyzinho filho de milico. quando começou essa historia toda de "new wave", abriu-se um danceteria dentro do clube, era a época das danceterias no rio de janeiro.
eu ficava observando essa galera toda, o jeito deles, o pensamento deles e era tudo que eu prometi não ser. não queria ser esse tipo de gente. nego saia pegando as meninas, muitos meio que forçavam uma barra pra ficar com ela, ou até meio que tipo ou voce me dá ou voce me dá, quase que um estupro.como eu era o estranho, ninguem sabia me classificar, ninguem me incomodava.
mas era muito ruim como os garotos num modo geral tratavam as meninas, ou mesmo as pessoas, as empregadas, os porteiros etc. prometi pra mim que não faria nada daquilo.

voltando ao visual. no colegio começo a chamar a atenção. eu era o diferente né. as pessoas não sabiam realmente como me chamar. e eu com um anarquia gigante na calça, camisa do ratos de porão, boton do dead kennedys, cabeça raspada do lado e um rato no bolso da camisa de flanela. 
sim um rato! tinha uma pet shop perto do meu colegio. um dia eu vi vendendo uns ratos, eu disse rato, não camundongo. ok, eram ratos albinos, brancos, com o olho vermelho. comprei um. ele novinho cabia no meu bolso, ficava andando com ele pra lá e pra cá. depois ele cresceu e virou uma ratazana dessas grandes e gordas. meu pai é que curtia ele.(meu pai era punk, como eu disse antes  hahahahah)
tinham umas pessoas que deviam ter meio que nojo de mim porque não falavam comigo ou falavam mas tinham medo, eu não sei direito, mas como eu comecei a fumar cigarro, sempre vinha uma outra menina pedir um trago.
o ano de 1985 só tinha começado.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

meu pai PUNK

eu disse que antes do rock in rio já estava numas de ouvir som PUNK, e de procurar saber mais sobre todo o assunto.
minha professora de historia acabou que me ajudou muito, tipo a gente trocava muito ideia sobre anarquismo etc. ela achava interessante de um aluno seu se interessar por aquilo tudo. e eu tava indo com afinco, tipo achava aquilo tudo sobre politica e movimentos politicos uma grande bobagem, não bobagem, mas algo que, pra mim nunca iria sustentar, não era algo que eu acreditasse. lembrando que a gente tava saindo de uma ditadura, estavamos na anistia, no diretas já, na tal da abertura.
meu pai tem um pouco de culpa disso, ele era super contra o militarismo e toda forma de politica repressiva. ele viveu bem essa epoca do AI5, ele mesmo fugiu do exercito quando soube da morte do meu avô. só voltou ao quartel porque a PE, policia do exercito, foi pegar ele em casa. ele podia ter se fudido, mas pegaram leve com ele.
meu pai não curtia politica, politico, não gostava de futebol, não gostava de carnaval, não gostava do caetano, meu pai era um chato. mentira, meu pai sempre foi e sempre será o meu heroi. com o passar dos anos ele foi mudando muito, foi aceitando mais o que viria pela frente. acho que ele entendeu que eu e ele eramos iguais, cada um no seu tempo.
a unica coisa que ele não aceitava era o simonal, dizia que era x9.

eu tavo falando sobre o PUNK.
meu pai era PUNK.

terça-feira, 12 de maio de 2020

ROCK IN RIO

de repente a cidade toda entra num alvoroço só - Rock In Rio! não se falava em outra coisa.
todas as rádio começaram a tocar rock. tudo era rock. ou new wave. começaram a tocar B-52s e Billy Idol exaustivamente. Whitesnake, Scorpions, Queen então nem se fala. James Taylor, Al Jarreau, George Benson, meio que tinha para todos os gostos. eram velhos, adolescentes, jovens num geral.
o natal foi bom pra todo mundo, acho que nunca as gravadoras encheram tanto o bolso de dinheiro. imagina uma banda como o DEVO que nunca foi significante para a Warner no Brasil, vender sei lá quanto por conta de um festival. isso porque o DEVO não tocou no rock in rio, mas foi alavancado junto. tipo se era "new wave" tá valendo.
nessa época eu já não estava curtindo tanto mais o som pesado. eu tava mais pra ratos de porão, cólera etc do que qualquer outra coisa. tipo aos quatorze anos voce começa a tentar entender melhor o que acontece com o seu mundo, a gente tava saindo de uma ditadura, teve anistia, todo um movimento de diretas já acontecendo. e voce ouvindo musicas como "quanto vale a liberdade?" e "F.M.I." . sempre que eu podia, trocava uma ideia com a minha professora de historia. ok que ela era brizolista, mas me explicava sobre anarquismo autogestão essas coisas todas. "o que é punk" se tornou o meu livrinho de cabeceira. queria cada vez mais entender quem foi marx, engels, etc...
mas eu pensava que tinha que ir de qualquer maneira no festival, afinal eu tinha curtido o iron maiden, o acdc, o black sabbath, essas coisas. tinha que vê-los ao vivo, talvez fosse a unica chance na vida!
um pequeno obs; muitos anos depois, no rock in rio 3, eu teria a chance de pedir autografo pros caras do iron maiden no vinil do powerslave que eu tinha guardado da época. esse era o disco que tinha sido lançado um pouco antes do primeiro rock in rio. os caras ficaram me olhando tipo uau! voce tem esse disco!e eu falava que fiquei esperando anos por aquele momento.

fui em dois dias - no primeirão, com direito a vaiar o kadu moliterno falando besteira na abertura.coitado o colocaram lá porque ele seria "representante de uma geração". sei que foi mó doidera, com ney matogrosso, erasmo carlos, baby e pepeu.
de repente muda o palco e entra o whitesnake, tipo tudo muda. os chamados "metaleiros" se amontam na frente do palco pra ver david coverdale, ex-deep purple, e o novo guitarrista - john sykes, que manda bem nas firulas. muda tudo de novo e de repente surge o que todo mundo foi pra ver - o iron maiden, com luzes piscando pra tudo que é lado, steve harris pulando pra tudo que é lugar, dave murray solando, é tudo uma loucura só. tipo um sonho se realizando na sua frente. logo no começo do show, o vocal se machuca tocando guitarra. a galera vai ao delirio. mas nada impede que o show continue, muita gente falou em encenação, se foi ou não, fez parte do espetaculo.
o mais legal de verdade foi a entrada do EDDIE, a mascote da banda. cara, foi tudo muito foda. quando acaba o show voce para e fala, como é que vou encontrar o meu pai num mar de gente como esse?
um pequeno detalhe, meu pai foi quem me levou pro rock in rio. em janeiro de 1985 eu ainda tinha 14 anos e o meu mundo se resumia praticamente em ir pra escola e voltar pra casa. eu não fazia ideia onde estava. a sorte é que ele estava onde a gente tinha combinado. coitado, ele com uma cara de quem não aguentava mais. na verdade nem eu.
foi um dia inteiro de muitas emoções. um dia inteiro lá naquela confusão. fila pra lá fila pra cá, banheiro lotado, hamburguer do bobs, fora que ainda tinha que voltar pra casa. isso tudo era em jacarépagua, perto do rio centro, num lugar onde não tinha nada, no meio do nada de verdade.
ele me olhou e disse - e ai, já foi? eu não fazia minima questão de ver o queen e tambem não aguentava mais, fomo embora com um sorrisão no rosto.
isso porque foi apenas o primeiro dia. ainda teria um outro dia que iria pra ver o acdc e o ozzy osbourne.
como já tinha ido a primeira vez, meu pai liberou de ir sozinho. apenas disse pra eu tomar muito cuidado.como já tinha passado quase dez dias do evento, tudo já estava mais facil. eram reportagens direto de lá mostrando tudo que acontecia entre os shows. na tv eram transmitidos ao vivo muitos dos shows. os nacionais foram que se fuderam muito. imagina o véio erasmão tomando uma vaia do começo ao fim dos "metaleiros", ou eduardo dusek. as bandas "iniciantes" como os proprios paralamas, ou os kid abelha se fuderam muito em relação ao equipamento, era visivelmente prejudicados pelo som, aquela coisa de ninguem mexe no som dos gringos. uma das poucas bandas nacionais que se deram bem foram os paralamas tocando "inutil" do ultraje a rigor e os barão vermelho tocando "pro dia nascer feliz", lembrando que era perto das diretas já.
tinha a coisa da lama, como era verão, teve as famosas chuva de verão. e como lá era um mangue só, imagina como ficou? virou rock in lama.
mas acho que a coisa mais engraçada mesmo foi a tal profecia de NOSTRADAMUS, dizia-se que o tal profeta previu um grande festival na america do sul que iria acontecer uma tremenda tragedia. ainda bem que não aconteceu nada disso.
enfim, assisti um repeteco do whitesnake, não aguentava mais "love ain't no stranger". no meio do show do ozzy, passa um cara do meu lado com uma galinha morta dizendo que ia tacar no palco. tinha essa coisa que o ozzy comia morcego, pintinho, matava galinha, só faltava fazer uma macumba no palco. nada disso. e finalmente o famoso sino do acdc anunciava o show. vou dizer - foi foda.
roberto medina, o criador do festival se deu bem. depois ele faria mais dois ou tres e viraria uma franchising tendo o rock in rio lisboa, rock in rio estados unidos etc.

realmente tudo mudou a partir do rock in rio. o rio entrou na rota dos grandes shows gringos. antes disso tinha tido show do queen, do kiss e do the police. o termo "metaleiro" criado por algum jornalista é usado até hoje como referencia à pessoa que curte heavy metal e que anda de roupa preta.
entre mortos e feridos salvaram-se todos.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

guitarras PUNK

em 1984 a radio fluminense comemorou 2 anos de existencia com uma puta festa, shows de varias bandas entre elas os paralamas do sucesso, herva doce etc e a transmissão do show do U2 "under a blood red sky"no telão. tudo foi retransmitido via radio e eu consegui gravar o show do paralamas quase todo.
começa com bilhetinho, uma musica que eles gravaram pro disco do eduardo dusek, nunca gravada num disco deles. patrulha noturna, cinema mudo, mordomo etc. confesso fiquei muito fã deles. tocam outras bandas mas nada me chamou tanto a atenção. tinha um rockão basico do herva doce mas era aqueles sons que voce ouve acha legal mas esquece. isso antes do amante profissional.
a "maldita" era muito legal. eu básicamente ouvia o dia inteiro. e fui ampliando o meu conhecimento em relação às bandas.
tinha um programa chamado "guitarras" que ia ao ar todo domingo às 13h. era um programa basicamente de som pesado. tocava muito sabbath, deep purple e coisas novas tipo venon, exciter, the rods.
até que eu descobri que dos 4 domingos do mês, um era dedicado ao som PUNK. eu apenas tinha visto fotos de bandas punk; já tinha tido o festival punk no circo voador, que eu só conhecia de nome.
até então o meu mundo praticamente se resumia à zona sul do rio.
lembro até hoje o primeiro bloco desse "guitarras PUNK" - Vepest -me gusta ser una zorra, Cólera - sarjeta e Coquetel Molotov - ódio às tvs.
eu sempre tinha uma fitinha no tapedeck pronta pra gravar algo que eu gostasse. pronto!já tava lá eu ouvindo direto essas musicas.
essa coisa PUNK me chamou muito atenção.
tinha um programa chamado "espaço aberto" que era só de som nacional, de preferencia à musica independente. ouvi muito arrigo barnabé, itamar assumpção, grupo rumo etc.
e de repente - F.M.I - RATOS DE PORÃO.
cara, foi um soco no estomago! não tinha ouvido nada parecido. tipo o cólera, o coquetel molotov era muito legal. tinha o lixomania tambem, mas nada era parecido com o RATOS DE PORÃO. tipo foi paixão à primeira vista.
no outro mês o "guitarras PUNK" tocava o split do Cólera/ RATOS DE PORÃO inteiro. o ao vivo no lira paulistana. eu decorei as musicas de tanto ouvir.
e lá vou eu na Point Rock, uma loja em ipanema que vendia discos basicamente de som pesado. tinha uma pequena seção de discos independentes, e lá estava o TENTE MUDAR O AMANHÃ do Cólera, o CRUCIFICADOS PELO SISTEMA do Ratos, entre outros. tinham os hardcore finlandes do TERVEET KÄDET, o RATTUS, as coletaneas THE VIKINGS ARE COMMING, AFFLICTED CRIES IN DARKNESS OF WAR, o split do OLHO SECO/ BRIGADA DO ÓDIO, ENGLISH DOGS, e todo o catalogo da NEW FACE RECORDS.
acabei comprando o crucificados pelo sistema, o cólera e o olho seco. tipo ouvi MUITO esses discos. os tenho até hoje!

até que no final do ano de 1984 é anunciado um mega festival a ser realizado em janeiro no rio.
um tal de ROCK IN RIO.

domingo, 10 de maio de 2020

iron maiden e acdc

os meus 13/14 anos foi uma das melhores coisas.
eu consumia MUITA musica. ouvia radio fluminense todo dia. ouvia quase todos os programas, menos o de musica progressiva, achava chato.
consumia MUITA revista especializada em musica. tudo que tivesse relacionado à musica eu tavo lá.
na TV RECORD tinha o programa REALCE que sempre passava um clip de musica. no ano seguinte, em 1984 apareceu com o programa VIBRAÇÃO, com apresentação do skatista Cezinha Chaves. ali era todo dia um clip e de vez enquando rolava uma entrevista com banda. no começo de 84 tambem surgiria na novissima tv MANCHETE um programa chamado FMTV só com clips. fora o fantástico que sempre que podia lançava um clip.
como teve a explosão da BLITZ em 1982, a mídia entendeu que poderia explorar tudo que pudesse em questão ao rock, então apareceram varias bandas, varias ruins é bem verdade, mas entre elas se salvava uma outra coisa
como eu era radical, praticamente um "metaleiro"(essa palavra ainda não tinha sido inventada), eu não gostava de muita coisa. mas tinham as bandas que a gente ouvia "escondido".

é mais ou menos nessa época que começo a frequentar uma rua que tem do lado da minha e que nunca tinha prestado a atenção, a rua visconde da graça.
fui parar lá com conta de um colega de colegio que morava lá e que tinha ido fazer trabalho em grupo. vi que tinha um turma enorme lá, era muito legal porque é uma rua sem saida, no final da rua tem um redondo que sempre tinha gente brincando, criança correndo, jogo se futebol, jogo de taco, sempre tinha alguem. como era uma rua sem saida, todo mundo se conhecia. todo mundo sabia da vida do outro, mas era muito tranquilo, tipo seu filho podia brincar na rua de boa, sempre tinha alguem tomando conta.
tinha as crianças com média de idade de 8/9 anos, tinha a galera da minha idade de 13/14 anos e tinha os mais velhos.
foi lá que aprendi muita coisa que levaria pra vida todo. valores, respeito, amizades. lá não existia essa coisa de classe social, todo mundo era igual. o rico andava com o filho de porteiro, o filho de militar andava com o rebelde.
todo mundo entendia que o mundo das marcas existia, mas não era aquela coisa de ser avaliado dos pés à cabeça. se voce tinha um tenis nike, voce ia ser sacaneado por ter um tenis nike e ir pra rua jogar bola com ele, tipo deixa ele em casa e vem com o seu tenis rainha furado, não precisa se exibir pra ninguem, aqui ninguem quer saber se voce tem dinheiro, a garotada quer saber se voce é gente fina e se sabe jogar bola bem. e só.
tinha a galerinha do rock tambem, mas eram mais tranquilos, nada de radicalismo. um deles foi o que me mostrou muita musica brasileira. de a cor do som, baby e pepeu, 14 bis, moraes moreira à musica instrumental como marcio montarroyos, toninho horta, léo gandelman, pascoal meirelles. ele curtia milton nascimento, caetano veloso mas isso eu nunca consegui engolir. desses todos eu sempre gostei do gilberto gil e só. tinha um outro que curtia um som mais antigo, samba das antiga, bolero, essas coisas, a coisa mais "nova" era o chico buarque. um outro se amarrava basicamente em rush. tinha o "new wave" da rua que curtia b-52s e U2. tinha os irmãos metaleiros que basicamente gostavam de iron maiden e black sabbath. sim, todos gostavam de iron maiden e acdc. acho que tanto o iron quanto o acdc tem essa coisa adolescente. mas todo mundo respeitava o armandinho o pepeu gomes e o dave murray ao mesmo tempo.

sábado, 9 de maio de 2020

d.maria e seu zé

o problema de escrever é que eu fico nessas de falar muito sobre a minha vida particular. queria escrever mais sobre musica, mas voces vão entender que muitas coisas vão se encaixando ao longo da vida. e isso é que eu acho muito louco
vou dar um grande exemplo:
minha mãe baixava santo.
não vou lembrar exatamente quando. acredito que eu tinha mais ou menos essa idade dos 10/12 anos o meu primeiro contato com essa coisa toda. lembro vagamente da minha mãe meio que "bebada" junto com o meu pai indo passar uma noite trancados no quarto. o meu ficava com a porta fechada e eu não sabia o porque, tipo era como se a minha mãe passasse maus e ficasse falando coisas sem sentido, as vezes gritando, enfim, era tudo muito estranho, mas eu achava que era bebedeira apenas.
um dia tou em casa de dia brincando no quarto e de repente a minha mãe entra com uma cara super estranha falando um nada com nada. de repente ela começa a falar que não era minha mãe e que iria levar o meu pai embora. quando eu cheguei perto dela pra falar ela me dá um tapão na cara. na mesma hora eu saio de casa, pego a bicicleta e vou a esmo.
depois eu volto e ela começa a me explicar que ela não é ela e que o meu pai escondia "ela" de mim. minha cabeça vai a mil mas tudo começa a fazer sentido.
meu pai sempre quis me poupar disso tudo ate porque eu era muito criança e talvez não fosse entender. nem ele conseguia entender.
meu pai era filho de mineiro com portugues e nunca tinha visto aquilo. por muitas vezes tentou procurar ajuda mas se envolveu com varios charlatões, varios centros espiritas e que nada acontecia. ele queira que a minha mãe se "curasse" daquilo.
ela por sua vez não entendia nada e dizia que nada acontecia, tipo no dia seguinte era como se fosse apenas uma ressaca. normalmente quando acontecia ela chegava em casa bebada, fedendo a alcool e falando mole. dae era em pouco tempo pra ela entrar em transe e do nada virava "outra pessoa", mudava a expressão do rosto, o comportamento, tudo.
com o tempo eu fui reconhecendo quem era quem porque não era apenas uma entidade que baixava, eram varios. quando eu era criança a entidade que eu tinha mais medo era quando vinha criança. criança é dificil, quer tudo, tem a compreensão dificil. tinha um que parecia mais responsavel, tinha um que pedia coisas,..., com o tempo fui vendo que eram pessoas distintas, tinha a criança, o velho a mulher, tinha um que não falava muita coisa, eram varios mas que se repetiam.
depois fui saber que se um se tratava da maria mulambo, do qual eu chamava de dona maria e o seu zé, o famoso zé pilintra. eles meio que tinham um certo carinho por mim, as vezes eu tava dormindo e o meu pai vinha me chamar dizendo que eles estavam me chamando e que queriam conversar comigo. as vezes tinha que beber vinho com eles, e era uma noite toda nessas. no outro dia eu e meu pai estavamos mortos com sono e cansaço porque apesar de ser tranquilo muitas vezes era tenso. isso meu pai tendo que ir pro trabalho e eu ir pro colegio. minha mãe ia curar a "ressaca" na praia.
com o tempo fui aprendendo a lidar com o todo. e confesso que eu gostava de conversar com a d. maria e o seu zé. eu era muito curioso com a coisa toda e ia perguntando sobre o "outro mundo".
uma vez fiquei muito impressionado porque eu meio que desafiei, tipo se tudo aquilo era me verdade me prove!
eu já andava no estação botafogo, um moleque de rua veio e me pediu dinheiro. eu disse que não dava dinheiro mas que podia pagar um pedaço de pizza, ele topou. sentou comeu a pizza com coca cola. quando ele tava indo embora, veio e me ofereceu a gandola que estava usando, disse que era pra mim. eu expliquei que a gandola seria mais util pra ele por conta da situação dele de rua. ele insistiu e disse que era pra mim. como na epoca eu queria uma gandola, acabei aceitando como se fosse uma troca pelo rango que tinha dado. depois me veio a cabeça que uma semana antes, uma das entidades disse que como prova da existencia dela que iria me dar um presente, algo que queria muito. pode ser muita coincidencia, mas foi coincidencia demais.
tenho ate hoje essa questão de ser "protegido" por eles. muitas vezes eu os vi "por ai" e me sinto bem com isso. infelizmente nem minha mãe nem meu pai gostavam dessa coisa toda.
existe uma historia que minha mãe teria sido escolhida pra ter esssas coisas. ela diz que não gosta porque tinha visões e que muitas vezes são coisas ruins, diz que via pessoas, etc. sei que de vez enquando ela vinha e falava tipo, filho fica em casa hoje e no outro dia fico sabendo de alguma briga no baixo gavea por exemplo.
ela nunca mais baixou santo segundo dizem. não moro com ela tem anos, não saberia dizer.
ela sempre diz que bebia demais e que era tudo fruto da imaginação dela.
respeito total todas as entidades e gosto dessa cultura. só pra deixar bem claro.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

FODEU!

dos 10 aos 12 anos foi toda uma adaptação à esse mundo novo da classe social e da musica.
ouvi muito iron maiden acdc black sabbath scorpions venon entre outros e como disse antes ouvia DEVO escondido. usava roupa da company etc.
aos 13 anos eu conheci a radio fluminense, a maldita. e nisso um novo leque de bandas e sons se abriram. a fluminense tinha uma coisa inovadora que era ter um modulo com 3 musicas sendo uma nacional e duas gringas. e outra novidade da epoca eram as locutoras.
veio paralamas do sucesso herva doce barão vermelho blitz celso blues boy zé da gaita malu viana marina lobão a famosa geração BRrock toda. e os gringos genesis jethro tull yes dire straits (ops esse eu infelizmente já conhecia) u2 men at work
tinham os programas tipo rock alive, o espaço aberto, depois teria o mactwist, o novas tendencias entre outros
um mundo se abriu pra mim mesmo eu só gostando de "metal".eu sempre acabava ouvindo de tudo um pouco.
o proprio u2 foi uma revelação pra mim. cada vez mais eu ia gostando de som "pop", tipo o u2 seria mais uma das bandas que eu ouviria escondido.
e tinham as publicações tambem! e eu consumindo tudo que aparecia pela frente. eram revistas de rock, a ROLL, a somtres, a propria roll tinha uma revista especializada em metal. tinham revistas posters, tudo que tinha sobre musica eu lia.
aos poucos eu ia entrando de cabeça no mundo da musica. e isso iria mudar a minha vida aos poucos.eu só não sabia que iria trabalhar com isso e que nem iria conhecer varias dessas pessoas que eu via desde de criança.
quando paro e penso nisso tudo vira meio que um filminho na minha cabeça. é muito louco lembrar dessas coisas todas
aqui é onde tudo realmente começa.
mais pra frente vem as mudanças de hábito roupas pensamentos e sons.
tipo é quando voce diz - AGORA FODEU!

quarta-feira, 6 de maio de 2020

educação sexual

ainda não falei sobre sexo

eu não tinha muito essa coisa de sexo. não que eu lembre.
tinha a coisa de paixões platonicas mas nada que me marcou muito. obvio que tinha aquela menininha que eu gostava do colegio, da natação mas nada demais. eu era muito timido em relação a isso. e eu realmente não me ligava nisso.
lembro ainda no antigo colegio que um dia nas conversas de garotos que um contou como foi a primeira experiencia dele. que tipo foi assim e assado mas eu realmente não me interessei. obvio que eu já ficava de pau duro vendo revista playboy, essas outras. aqui em casa tinha uma coleção que meu pai comprava, e não era uma coisa escondida, ficava meio que na sala, acho que a playboy por ter entrevistas etc não era considerada uma revista porno. nunca entendi essa relação dos meus pais com a playboy

não vou lembrar extamente quando foi. a ordem cronologica da coisa toda e os fatos do que realmente aconteceu faz parte do meu imaginario, das minhas lembranças. por isso que digo que isso tudo que escrevo aqui faz parte do meu imaginario ficticio, não que não seja verdade, mas é o jeito que eu lembro. muitas coisas podem não ter sido exatamente do jeito que eu conto.

um belo dia se muda para o meu prédio um tal de leo feijó. a gente se conhece de criança.
a gente brincava direto aqui no predio, ele a irmã e os vizinhos do primeiro andar e os vizinhos do predio de frente. era uma turminha que fazia mó zona.
coisa de criança mesmo. pique pega, esconde esconde, bicicleta, futebol, essas coisas.

um dia o leo me chama pra ir no sitio dele em trajano de morais, municipio do rio.
o avo dele era prefeito lá e ele tinha um puta sitio com cavalo boi vaca essas coisas.
um dia antes de ir minha mãe me pega e me dá uma aula de educação sexual, tipo se voce fizer isso voce tá fudido, ou seja não faça!
eu na minha inocencia toda não entendi nada, tipo eu nem pensava em sexo, mas segundo a minha mãe eu poderia pensar e fazer merda. a foda toda é que ela me conta um tudo pela metade e só diz que não é pra fazer ou que se eu fisesse que assumisse as consequencias. e isso ela não tava falando de doenças, ela tava falando de filhos!
acho que foi a pior maneira que alguem poderia ter falado sobre sexo com o filho. foi tipo filme de terror. foi a coisa mais absurda que a minha mãe poderia ter feito comigo naquela epoca. ela ate pode ter as suas razões de interiorana que ela é, mas foi muito escroto o que ela fez, ela botou o terror em mim.
isso tudo porque eu nem pensava em sexo ou sabia o que era sexo.

mas no fundo acho ate que foi bom. me fez querer fazer sexo com amor. tipo eu comecei a entender que sexo era amor e que pra fazer sexo tinha que ser com alguem que eu amasse de verdade. mas foi uma merda isso porque eu só iria deixar de ser virgem muito tempo depois. aquele ruim porem bom. ruim porque todos os meus amigos já tinham tido as suas experiencias sexuais enquanto eu nada, zero. mas depois seria legal isso tudo. mas esse tudo é bem mais pra frente, ainda tem muita historia pra contar antes disso acontecer.




terça-feira, 5 de maio de 2020

o começo de tudo.


até eu entender a minha posição na sociedade eu realmente era cobrado dia-a-dia por todo mundo do colégio e acabava que eu tambem me cobrava.
quando sai do colégio publico e fui estudar num colégio particular era como se eu tivesse ido pra um outro planeta. de verdade.
eu era olhado de cima a baixo. roupa de marca, tenis, mochila, tudo.
como no colegio particular voce podia ir de calça jeans, tenis de qualquer cor, todo um mundo se abriu. era tenis nike, adidas, kangaroo; mochila e moleton da company; a calça de preferencia da company mas podia ser levis e relogio casio
logo assim que entrei eu repeti de ano.
acabei largando a natação tambem, era foda acordar muito cedo e ir direto pro colegio depois, antes eu estudava na parte da tarde, nesse novo colegio era de manhã.
tive que aprender todo um novo vocabulario, eram os sobrenomes. tipo malaguti, kovinski, popovic, etc etc etc.
todo mundo ia e voltava de carro, um ou outro que voltava de onibus como eu.depois de um tempo comecei a ir de bicicleta.
acho que eu realmente só me adaptei depois de dois anos no colégio.
ate porque foi quando vieram varios alunos repetentes do colegio santo agostinho; porem esses eram pessoas mais "normais", que não se importavam tanto com roupa de marca assim. eram os que mais me identifiquei.
no meu segundo ano no CRJ (colegio rio de janeiro), conheci um outro moleque que curtia som.
eu já não tava mais curtindo os beatles assim, john lennon morre em dezembro de 1980 e acabei deixando um pouco de lado
na radio tocava muito peter frampton, queen, era anuncio dos cigarros hollywood com asia, journey, essas coisas. era uma epoca que eu tava descobrindo os riffs de guitarra.
um moleque veio e me apresentou o famoso vol.4 do black sabbath e o burn do deep purple. tudo mudou na minha vida.
na sequencia conheço uns moleques na minha rua que curtiam acdc e iron maiden. começo a andar com eles. a gente passava a tarde andando de skate.
tinha uma turma mais velha que já eram profissionais, já tinham disputados campeonatos, andavam no condominio barramares etc. lembro que um deles tinha um skate escrito DEVO e eu não entendia, tipo o que ele deve? dae um outro moleque ria e falava, seu burro, isso é uma banda, e me saca um K7 com devo de um lado e missing persons do outro. eu não lembro do lado do missing persons, mas eu acabei curtindo muito o tal devo. acabo que fico correndo atras dessas informações ate descobrir uma loja no shopping da gávea, a gramophone.
começo a frequentar tanto a loja quanto o fliper desse shopping.
 a gramophone vendia muito disco importado, tipo o disco gringo era o dobro de um nacional. a foda era juntar a grana pra comprar um nacional, era uma semana inteira sem lanchar pra poder comprar um disco.
nessas eu já não tava nem ae mais pra estudar. só queria ouvir musica alta. comecei a rabiscar as minhas calças, arrumei um colete jeans e descobri uma loja chamada point rock em ipanema.
ouvia de tudo um pouco. de rush, iron maiden, acdc, ozzy osbourne, whitesnake, venon, def leppard, por ae...
ouvia devo e u2 escondido. devo era "new wave" e u2 era "pop". nacional nem pensar.
ate mesmo os beatles eu parei de ouvir.
era o começo da rebeldia.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

braZil

nada contra o brasil
nada à favor

hoje é fácil voce comprar um tenis nike gringo em qualquer loja tem
quando eu era pequeno isso era impossivel. na real eu só soube que existia isso depois que comecei a frequentar o clube do flamengo.
era um tal de tenis nike, tiger, jogos eletronicos tipo donkey kong, roupa speedo, camisa hang ten, skate de fiberglass
antes era kichute, bamba, conga; telejogo, camisa hering, carrinho de rolemã
até antes mesmo dos meus beatles, era elton john, aqui era silvio brito, fabio jr; lá era donna summer aqui era lady zu. nada contra nada à favor.

não vou ficar só detonando. tim maia. jorge ben era tudo de bom
mas tinha algo no ingles que voce não entendia, mas a melodia era diferente. o proprio tim era super melodico, mas era quase que gringo. a coisa do soul americano.
voce não precisava entender ingles pra entender que a melodia da musica era triste, ou alegre, ou simplesmente bonita. essa coisa do preta preta pretinha eu não conseguia engolir direito.

meu primeiro show foi do jorge ben no clube de regatas do flamengo. era banda do zé pretinho.
não sei se era a multidão, o barulho, a coisa toda talvez. começa o show eu começo a chorar e só paro depois que a gente sai de lá.

acabei que fiquei com os beatles. mesmo sem entender ingles eu acompanhava as letras num disco duplo, o famoso disco azul, uma coletanea, tinha o disco vermelho tambem, mas eu só tinha o azul.
o album branco tambem vinha com letras mas pra mim era um disco estranho, dificil de entender.
acho que dae que veio essa coisa com melodia

ate hoje quando vou escutar uma musica nova, eu escuto a melodia, depois é que vou entender se é em portugues, ingles, alemão ou qualquer coisa. acho a melodia da musica algo que é o mais importante da musica.



domingo, 3 de maio de 2020

beatles

ontem conversando com um amigo, lembramos de que todo desenho animado tinha uma banda. essa coisa do yuka falar que queria ter uma banda por causa dos impossiveis; acho que todo guri queria uma banda, essa coisa do kiss de ser um super heroi. lembrei do maguila gorila que tem um episodio que tem uma musica inteira.
pantera cor de rosa, flintstones todos os desenhos da hanna-barbera
falamos do vila sesamo, lembro de aprender o abecedario cantando a musica, tinha o garibaldo e o gugu, tinha a musica do funga-funga
tinha a serie do batman, tinha o kung fu com david carradine, que faria o kill bill anos depois, tinha a coisa das trilhas de novela, lembro muito do michael jackson cantando ben a tal musica do ratinho, eu sempre chorava sei lá porque
o que eu nunca entendi foi como os beatles entrou na minha vida.
até sei que tinha um desenho mas eu não lembro. lembro do desenho dos jackson 5, dos harlem globetrotters, josie e as gatinhas etc, mas dos beatles não.
sei que apesar de ouvir muita musica no radio, acabei virando beatlemaniaco.

a famosa mesbla do passeio era onde comprava os meus discos dos beatles. quase sempre os meus pais iam lá, mesmo que só pra passear, eram sei lá quantos andares, pra mim um mundo. e sempre enchia o saco deles pra comprar um disco dos beatles. era só beatles.
um dia a vendedora chega pros meus pais e oferece um outro disco de uma outra coisa. ela conseguiu empurrar um disco do dire straits!!! sim, aquele que tem sultans of the swing!!!

algum tempo depois, meu tio binho passou um tempo morando aqui em casa.
ele era o meu tio hippie, cabeludo, moderno, garotão. pegou de frente os dzi croquettes.
um dia ele aparece com um amigo aqui em casa. ele fala pra mim que ele era gringo, ingles. quando descubro que o gringo era ingles, a primeira coisa que eu quero saber é se ele gosta dos beatles. o gringo explica que beatles não tá com nada e saca um disco que não era nem um lp nem um compacto, e coloca o disco bem diferente na vitrola da sala. meu tio explica que o gringo era garçon lá em londres e que juntou dinheiro durante um ano inteiro pra vir conhecer o brasil. ah, sim, o disco era de uma banda chamada the clash.

na minha cabeça esse meu tio meio que morou aqui em casa. minha mãe disse que ele passou apenas uns meses aqui, mas lembro muito dele dançando na sala, lembro de alguns amigos dele, tudo hippie.
muitos anos depois fui numa festa na casa dele. eu já trabalhava com o planet hemp e acabamos fumando um junto. foi a ultima vez que eu o vi. morreu de aids.
ele era bailarino, enfermeiro, fazia ponta em novela da globo
foi pros estados unidos de carona. passou um ano nessas, indo pra argentina, chile, bolivia, mexico, ate chegar nos eua. chegou lá e foi pego pela imigração
acho que da parte da familia da minha mãe ele talvez tenha sido a unica boa influencia, essa coisa de acreditar que voce é capaz, que voce pode ter um sonho e realizar, essa coisa de aventureiro.
tenho saudades dele.

sábado, 2 de maio de 2020

meu pai

meu pai trabalhou a vida toda no IRB, instituto de reseguros do brasil. é um seguro do seguro de todo o brasil, um orgão federal. o que isso quer dizer eu não sei, mas como disse antes, lá ele começou como office boy e foi subindo de cargo conforme o tempo
todo ano o IRB oferecia um presente de natal aos funcionarios com filhos, algo tipo uma lembrancinha, um brinquedo. um ano foi um caminhãozinho, outro ano foi um tarol de plastico. obvio que eu batia nesse tarol e fazia um barulho absurdo, logo sumiram com esse brinquedo. no outro ano não veio nada  hahahahahah

em 1975 foi lançado uma novela chamada pecado capital com francisco cuoco, betty faria e outros. a trilha sonora era fantástica, com paulinho da viola, luiz Melodia, wando etc. lembro claramente um dia meu pai ouvindo esse disco aqui em casa, ele me pega "batucando" uma das musicas. ele pega umas "baquetas" e pede pra eu ficar "tocando" num pedaço de madeira. e ficava repedindo a musica varias vezes. a musica chamava-se "melô da cuica" do azymuth. acredito que foi a primeira musica que "toquei" na vida.

aqui em casa tinha uma coisa com musica muito interessante. tipo alguma coisa de trilha de novela, maria bethania, construção do chico buarque, gal costa fase psicodelica, um outro do martinho da vila, roberto carlos, elizeth cardoso, jacob do bandolim, uma outra coisa de samba enredo de escola de samba, por ai...

logo cedo eles me deram aquelas vitrolinhas de plastico e veio todos os compactos da coleção disquinhos, dona baratinha etc. veio compacto mengo 70, lp do vila sesamo, lp do estupido cupido e o lp com negro gato do roberto carlos.
um pouco depois apareceu um gravador. minhas primeiras gravações eram musicas de filmes da sessão da tarde, filmes de elvis presley, jerry lewis, ...

tenho uma prima uns 4 anos mais velha. a gente frequentava muito a casa dos meus tios no bairro da gloria. tipo meus pais iam lá todo fim de semana pra jogar cartas. nessas jogatinas eu ficava fuxicando os discos dessa minha prima. tinha muito rita lee, carpenters e roberto carlos

todo ano era natal na casa desses meus tios. um dia eu cheguei no meu pai e disse: pai, a gente precisa passar o natal esse ano na casa do tio jorge? meu pai perguntou o porque, eu disse que era um saco todo ano ir pra lá e ficar vendo todo mundo bebado brigando por causa do jogo de cartas. depois disso nunca mais passamos o natal na casa do tio jorge.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

a televisão me deixou burro muito burro

capitão aza, vila sésamo, globo cor especial, jerry lewis e dean martin, roberto carlos e o diamante cor de rosa, elvis e todos os filmes do hawai, estupido cupido, dancin' days, ops, dancin' days eu não vi!!!

em troca de um carrinho de ferro fui fazer natação no clube de regatas do flamengo. de 1977 ate mais ou menos 1981 fiz parte da equipe do flamengo. tinha uma coisa d'eu sempre ficar doente quando criança, uma febre terrivel, toda noite era aquele febrão escroto, melhorou muito depois que fiz a retirada das amidalas e foi aconselhado de fazer natação.
e lá foi meu pai me levar todo dia as 05:30h da manhã pro clube. por isso que a minha vida toda foi de acordar muito cedo. nessa epoca ainda estudava à tarde num colégio publico aqui no humaita. a função da mãe era levar e buscar de bicicleta. quando dava 20h era pra dormir pra no outro dia fazer tudo de novo.
então quando voltava da natação era um tal de desenho ate a hora do colegio.
numa entrevista do Yuka ele falava que a vontade de fazer uma banda vinha dos herois dos desenhos animados, dos impossiveis; o proprio apelido dele vinha de um desenho.

essa coisa do clube do flamengo foi onde se deu a minha primeira experiencia com a chamada classe social. eu era o pobre e eles os ricos. todo mundo já tinha ido ou iria à disney, todo mundo tinha tenis importado, todo mundo estudava em colegio particular. todo mundo, menos eu.

meu pai estava em ascensão no trampo dele e talvez ele achasse uma boa que eu tambem estivesse junto aos novos amigos, mas essa coisa do meu pai não iria me levar à disney. nunca quis ir, mas tinha aquela coisa de criança que todas elas queriam ir e acabava que rolava tipo voce nunca foi?

eu usava kichute, tenis bamba, eles usavam tenis nike, tiger. a roupa era adidas, speedo. eu não ligava mas era chato todo mundo tinha menos eu.
mas o mais legal era ouvir sobre a novela das oito. como eu não via porque tinha que dormir cedo pra acordar cedo, eu ouvia um contar sobre e recontava pra outros fingindo que tinha visto. era meio que obrigado a fazer isso pra não ser mais diferente do que eu era. como todo mundo era criança não tinha muito essa coisa de se importar muito com isso, o lance mesmo era a coisa dentro da agua, quem era o melhor. isso tudo eu ainda no colegio publico.

dae veio o colegio particular, o colegio rio de janeiro na gávea.
mas isso é uma outra historinha, ali sim foi onde se fez a diferença da classe social. mas foi onde eu virei punk. vamos deixar isso mais pra frente.