segunda-feira, 1 de junho de 2020

algafan

eu achava que a carmen e a lu se pegavam.
acho que não só eu achava, todo mundo achava.
e ainda tinha o flavio, que ficava no meio disso.
sabe aquela pessoa que tá ali mas se não estivesse tambem não faria
diferença. ele era legal, mas não trazia muita informação.
pra mim eramos apenas nós tres, eu carmen e lu. só que isso
atrapalhava pra caramba. tipo onde uma ia a outra estava. poucas vezes
ficou eu e a carmen sozinhos, e sempre tinha uma briga.

a gente gostava muito de legião urbana. era epoca do alternativa
nativa no maracanazinho. e foi ducaralho.showzão. o alternativa nativa
era uma marca de roupa que começou a promover shows das bandas de rock
da epoca, começando um ano antes disso com uma serie de shows no
canecão. lobão, ira, uma galera tocou lá. depois eles alugaram por
tres dias o maracanãzinho. lembro que um dia era a legião.

mostrei pos tres a famosa fita K7 do trovador solitario com varias
musicas ineditas e varias versões diferentes, tipo "eduardo e monica"
tinha um final, tinha "anuncio de refrigerante"; e entre elas a musica
"dado viciado".

"você não tem heroína, então usa Algafan", é a primeira frase da
musica "dado viciado".
a carmen descobre uma farmacia que vende esse remedio. e resolve
comprar pra esperimentar. ela ficava completamente grogui. tipo voce
falava com ela e ela nem ae. a gente brigava muito por conta disso.

eu acabei que fiquei com a lu umas vezes por conta que a gente
conversava mais, eramos mais amigos. mas eu não gostava dessa situação
eu-carmen-lu. e isso porque eu ainda era virgem e queria acabar com
isso, mas tinha toda uma historia em relação ao sexo, queria alguem
que me amasse de verdade. mas como isso podia acontecer com alguem que
ta metade do tempo grogue de remedio e a outra que tava metade do
tempo bebada de vinho?

isso tudo porque eu não fumava mais maconha. não lembro um porque, mas
sei que nessa epoca comecei a dar um tempo de maconha. comecei a achar
coisa de hippie, ou sei lá, tava numas de ficar mais careta mesmo.
a coisa da carmen muito doida ou de remedio ou de bebida, não me
agradava nem um pouco e eu não queria isso pra mim. acho que eu tava
com medo daquela coisa de casal drogado do livro da christiane F.

não foi só coisa ruim não, teve muita coisa legal e engraçada. mas
esse lado ruim foi bem ruim.
sei que algum pouco tempo depois tudo acabou. brigamos feio e deu. ce fini.
foi nessas que fiquei muito maus. entrei numas de procurar por ela, de
querer saber dela. acho que foi quando ela foi pra suecia. não lembro
direito, mas acabou que eu e a lu ficamos mais juntos e ficamos varias
vezes. acho que pra um superar a perda da carmen do outro. não sei bem
direito. gostava da lu, mas era diferente, gostava como amigo.

nessas eu comecei a frequentar o colegio senador correia atras de
alguma noticia da carmen.
nessa coisa de andar junto apareceram outros elementos. uma delas foi
a cecilia, uma minazinha bem novinha que "queria ser punk".
pra voce ver como ela era novinha, a mãe dela veio traze-la aqui em
casa pra ver como era tudo e deixar ela ir ao baixo gavea comigo pela
primeira vez. isso porque ela vinha aqui pra casa passar as tardes
todo dia.

ah! tem uma historia muito boa no meio disso tudo! o dia que fui me
apresentar no exercito!

no dia em que tinha que me apresentar no exercito, a lu e o flavio
dormiram aqui em casa. eu tavo muito nervoso e não consegui pregar os
olhos.
fomos os tres pra urca logo cedo. antes de entrar no portão, cheguei
neles, dei uma grana e disse, compra tudo de vinho, ou pra gente
comemorar a minha entrada no exercito ou a minha não entrada.

meu pai disse que eu era peixe, que não iria servir de jeito nenhum,
mas eu não sabia desse detalhe.
teve uma hora que veio um cara e perguntou o qual era o meu problema
na vista, disse que era miope. ele mandou eu ficar do lado junto com
mais dois e o resto tira a roupa toda. fiquei ali meio tremulo, sem
entender nada ate que veio outro cara e diz pra ir na mesinha ali do
lado. disse que era pra eu ir onde eu me alistei dia tal pra jurar
bandeira e que tava dispensado.

quando sai pela porta do quartel, tavam a lu e o flavio com tres
garrafas de vinho barato na mão pra gente comemorar.
cada um matou o vinho e os tres bebados não sabiam o que fazer. sei
que uma hora eu comecei a andar por cima de um carro que tava na rua e
de repente veio um carrinho da policia atras de nós.

quando eu vi, a cabine de policia estava lotada de vomito dos outros
dois. eu só pedia pra levar a gente pra algum hospital pra eles
tomarem alguma coisa pra parar de vomitar e que depois eles podiam me
prender.
os policia nos meteram na patrulha e fomo pro hospital rocha maia, ali
na frente do pinel.
sei que em algum momento abri o olho, o flavio desmaiado num canto.
comecei a andar pelas salas e vejo a lu no chão com a cara enfiada num
balde vomitando.
não sei como peguei os dois enfiei num taxi e vim pra casa. no outro
dia ninguem era ninguem. mas ninguem foi preso. e isso já era motivo
pra comemorar. de novo.


domingo, 31 de maio de 2020

puLtzzz

acho que foi verão de 87.
tiveram as famosas chuvas de verão, mas que na real foram enchentes e muita gente perdeu casa etc... acho ate que foi quando alguem resolveu descer a rua pacheco leão surfando.

foi a primeira vez que vi a rua jardim botanico interditada. ninguem passava, só se voce fosse andando pela grade. não tem escoamento, o lance é esperar a agua baixar. (há poucos anos aconteceu isso comigo, fiquei com agua batendo no peito, tive que voltar da gavea pro jb pela grade).

rolou o s.o.s. rio, pra arrecadar alimentos roupas e suporte de primeira necessidade para as pessoas que perderam suas casas.

era época de piramide. o que era piramide? uma pessoa chamava outra e colocava um certo dinheiro, essa pessoa que colocou dinheiro chamava mais duas outras pessoas e essas duas colocavam essa certa quantia, no final de x pessoas, quem foi o primeiro, "decolava", tipo ficava com a grana toda arrecadada e o proximo era o da vez, e assim ia.

fui na casa de uma amiga no leblon. a irmã dela tava organizando uma dessas piramides. lá conheci uma turma que era basicamente uma galera que teatro. tava o piupiu (ator e professor luis carlos tourinho) que tinha sido o meu vizinho, a gabi (que foi minha amiga de infancia, enteada do lulu santos) e uma outra galera.

a carlinha eu tinha a conhecido num show do ira no canecão. ela e a rara. a carla morava no prédio de "um maluco igual a voce, kadu", o nome dele era diba.

a turma que tava na casa da carla resolveu ir ajudar a recolher alimentos no planetario da gavea, muita gente tava ajudando como podia.
chegando lá, o pessoal disse que ja tinha muita gente e que estavam precisando de gente no estadio de remo da lagoa, acabamos indo pra lá.
como tava de bobeira fiquei indo pro estadio de remo a semana toda. era muito louco porque voce via chegar muita coisa e muita coisa era colocado de lado para ir para "outros lugares", tipo chegava uma entrega de roupa de marca e o pessoal colocava em outro monte, ou já colocavam nos proprios carros. a gente sabia que essas roupas não iriam pra abrigo da prefeitura nenhum.

a turma que se formou acabou que se reuniu pra trocar ideia e manter um nucleo pra que se acontecesse de novo já ter pessoas pra ajudar. nisso acabei conhecendo uma menina chamada silvana.

a rara fez uma festa de aniversario e me chamou. cheguei lá e uma mina não parava de me olhar, o nome - carmen. no outro dia liguei pra rara e pedi o telefone da tal mina.
ela estudava num colegio na praça são salvador, o senador correia. fui lá encontra-la.
o senador correia era um colegio "alternativo", com um gremio anarquista capitaneado pelo joca, um carinha de moicano.
a carmen fazia aula de teatro numa casa perto do clube de espanha no humaita. o piu piu dava aula lá. era um trio, ela, a luciana e o flavio. a lu era a melhor amiga da carmen, estudava no colegio bennett no flamengo. acabamos que grudamos todos, tipo quando voce via um, voce via os outros tres.

era a epoca do impeachment do collor. a gente ia de colegio em colegio pra trocar idea, ouvir o pessoal da AMES etc. nessas conheci o mauricio "vermelho", depois conhecido como dj saddam.

muito estudante se envolveu com politica, um tal de lindberg farias tava no meio disso. outras pessoas tambem, mas muitos viram que isso tudo era mó roubada.

essa coisa de passeatas etc se repetiria no futuro com o nome de geração cara-pintada.
mas nós fomos os primeiros!

com isso o então presidente pede a renuncia. fim da era collor. porem quem assumiria o poder: o vice itamar "topete" franco.
puLtzzz

sábado, 30 de maio de 2020

meu amigo PAULO SKIN

acho que foi final de 86, não lembro direito, mas foi um dos mais belos shows da legião urbana que vi.
canecão, aquele palcão lindo, passando uma especie de doc sobre brasilia nos telões laterais. foi muito foda. era final da tour do primeiro disco, logo os palcos iriam ficar pequenos pra eles. o primeiro disco nem foi tanto, mas o disco "dois" tocou quase todo nas radios fazendo todo mundo decorar a letra gigante de faroeste caboclo. acho que depois disso veio o maracanãzinho já na serie de shows da alternativa nativa, mas isso é um pouquinho mais pra frente.

um pouco antes vi um show deles no aniversario de 5 anos da radio fluminense FM, no clube monte libano. foi o bikini cavadão, a legião, e mais umas 3 bandas.
uma das bandas era do sergio dias, então ex-guitarrista do mutantes. ele foi meu vizinho de predio. eu nem sabia direito o que era mutantes.
o bikini eu conheci num sarau do colegio rio de janeiro. eles ainda não tinham guitarrista; o tecladista tocava com um casiotone, o vocal tinha estudado lá, alguma coisa assim.

aos poucos voce ia reconhecendo as pessoas que iam nos mesmos shows que voce. figuras que voce meio que já sabiam os nomes por serem do "meio".
tipo os irmãos nelson e edinho. eles tinham uma banda chamada kongo e circulavam bastante por copacabana. eu via o edinho direto numa loja de disco por lá.
o pedro ribeiro, irmão do bi tambem era figurinha facil em varios shows. pessoas que trabalham em produção, musicos, essa galera tinha de monte, o rio nessa epoca era um turbilhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo. as gravadoras estavam aqui. vejo isso tudo ainda como uma ressaca pós rock in rio.

muita banda veio morar aqui, a plebe rude, o detrito federal, o finis africae. era facil voce encontrar essas pessoas circulando a zona sul. lembro de encontrar o renato rocha, então baixista da legião no macdonalds de ipanema.

tinha aqueles que eram pessoas normais. tipo não eram musicos, mas eram pessoas que voce sempre os via nos shows.
um em particular eu morria de medo. medo mesmo, pavor, panico. era um skinhead.

sim, tinha a turma dos skinheads que vieram junto com o pessoal de brasilia, mas que eram "gente boa". os carecas de brasilia não tinham essa coisa de nazi-fascistas. era o fred, o moleque, o bahia, um ou outro que não lembro os nomes.
mais tarde fui lembrar dos irmãos fred e moleque. eu estudei com eles! tive aula com a mãe deles! dona alda dava aula no colegio pedro ernesto, fui da sala do cristiano! eles foram pra brasilia, o pai deles trabalhava no DOI-CODI!

mas o careca que eu tinha medo mesmo era um tal de PAULO SKIN.
ele não era de brasilia. andava direto com o muti randolph, um cara gigante que tinha um moicano ruivo.

tipo eu tavo no busão voltando de copacabana, ele entrava, eu descia na mesma hora, isso aconteceu uma duas vezes.
um belo dia tavo num show no circo voador e reencontrei a cris, a punk do meu colegio, a que tava na fila do show da siouxsie.
ela veio e disse pra ficar com ela e a turma dela. foi me apresentando um a um. sentei e comecei a trocar ideia com a galera até que uma coisa me cutucando a costela começou a me incomodar. quando vi era o paulo skin me cutucando com uma muleta e falando assim - SAI DE PERTO DELA.
na mesma hora eu disse que tinha que ir ao banheiro algo assim e brucutu, me mandei.

anos depois eu contei essa historia pra ele ele riu MUITO. ele tinha uma risada muito caracteristica, e é por isso que quando escrevo risadas - hehehehehehe, é como se fosse ele rindo. ate hoje eu rio um pouco assim, tipo peguei dele, só que ele ria assim, HEHEHEHEHE.
 nessa epoca ele era muito doido, nesse show do circo ele entra no meio da roda punk e começa a dar com a muleta no chão, no meio da roda.

depois de um tempo a gente ficou amigão.
infelizmente ele se foi, pulou da janela. é uma historia muito doida e estranha, tipo nunca vamos saber a verdade. um dia ele se tranca no quarto e fica lá uns dias, a mãe manda arrombarem a porta, e ele sai de lá numa boa. diz que quando a velha se virou ele saiu correndo e voou pela janela.
ele tinha sido internado varias vezes, a mãe pegava todas as roupas e discos e jogava tudo fora, quando ele saia da internação, comprava tudo de volta. uma epoca entrou numas, se formou e começou a dar aula na PUC.

saudades dele.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

os hippies

do colegio peixoto fui parar num outro que ficava no começo da voluntarios da patria. esse eu realmente esqueci o nome, até porque foi o colegio que menos "frequentei", mas que foi importante porque lá conheci uma turma nova, os hippies!

não, eu não me tornei um hippie, não sou tão zelig assim! mas era uma outra galera. não eram aquela coisa de hippie anos 70, mas sim hippies-punk! alem de já andarem por ae fazendo coisas, cada um era meio que independente, fora a questão toda de uso de drogas etc.

o dia que realmente me bateu a real foi o dia que o professor de matematica me chamou de mister do cabelo, e um cara que tava do meu lado, de mister do cabelo comprido. esse professor era mó figura, se amarrava em raul seixas e chamava todo mundo de mister alguma coisa. falava sobre janis joplin direto nas aulas.

porque ele me chamou de mister do cabelo?
nessa epoca foi quando eu assumi o cabelo moicano de verdade. eu devia estar com quase um palmo de moicano em pé. só que quando resolvi ir pra esse colegio, meus pais me encheram o saco porque eu ia prum colegio onde as pessoas eram profissionais, e que estavam lá porque não tiveram tempo de estudar, e blablabla. descobri isso porque eles proprios fizeram supletivo pra acabar os estudos. e devia ser assim onde eles estudaram. ou seja, o colegio peixoto realmente era uma coisa de mauricinho e que eles reconheceram isso quando me mandaram para esse outro.

ah, esqueci total o nome do colegio, era tipo santa alguma coisa, mas enfim, eles me encheram tanto o saco que acabei cortando o cabelo maquina 1.
mas logo no primeiro dia, vi que ok, tinha lá a galera office-boy, tinha a galera que trampava em banco, tinha a galera que trabalhava em loja e que precisava de acabar os estudos pra poder subir de cargo etc, mas tambem tinha a galera maloqueira, que logo fui me apresentando; os maconheiros.

nessas conheci o kiko que era da minha sala, e o fernando. a gente ficava no intervalo trocando ideia e fumando cigarro. mas ainda não seria o momento que a gente iria sair junto, eu ainda andava direto com o marcio parafina. e ainda tinha a turma da visconde da graça tambem. e o guto.

o kiko e o fernando eram musicos, ou queiram ser. o fernando era batera, se amarrava no carinha do led zeppelin e no carinha do pink floyd. o kiko tocava violão e era baixista. num futuro proximo eles teriam uma banda chamada impadinha de jiló.

o kiko eu não lembro, mas o fernando trabalhava de caixa em algum banco. lembro o dia que ele largou o emprego, fez uma tattoo no braço e disse que nunca mais iria trabalhar num emprego desses.
eles falavam muito num tal de baixo gávea que a turma deles se reunia lá direto.
logo logo eu estaria frequentando esse lugar praticamente todo dia.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

X-9

do colegio rio de janeiro lembro muito de muita gente. eu tinha aquela coisa de falar com todo mundo. do servente ao diretor, inspetores, professores e o pessoal da cantina tambem.
na sala de aula eu era amigo dos cdfs, do pessoal do fundão, das patricinhas, dos playboys, dos atletas, cara eu falava com geral. eu era aquele que todo mundo sabia quem era. o cara de cabelo esquisito que anda com calça rasgada. até os professores me chamavam de kadu.

em algum momento, eu pedro tibau e um outro resolvemos montar uma radio no colegio. pra ouvir um pouco de musica durante o intervalo. e não sei como o pessoal da diretoria deixou. ficava onde seria um laboratorio de fotografia, no ultimo andar do predio. obvio que fizemos festinhas, alguem fumou maconha. a gente tocava o terror.

passava as tardes lá, afinal era o meu som que tava lá. era muito bom ouvir som alto. chamava-se radio ética. ética por conta de uma musica do finis africae. depois disso acabei indo pro colegio peixoto, que ficava pertinho, na gávea mesmo, só que era supletivo e era de noite.

e de repente veio o plano collor.
PQP!!!
cara, o cara ROUBOU o dinheiro do brasil inteiro e NINGUEM fez nada. ele disse que seria pra pagar a divida externa e que com o tempo devolveria aos poucos. ate acho que ele devolveu mas sem os juros devidos, tipo 100 reias voltariam como 10 reais, ou algo assim.

meu pai tinha se aposentado e tinha guardado o dinheiro na poupança, assim como TODO MUNDO fazia. foi uma epoca bem dificil pra todo mundo. não vou lembrar direito mas as pessoas tinham direito a X por mês, sendo que esse X era bem pouco. meu pai teve que renegociar a mensalidade do colegio, fazer uma conta no boteco da esquina pra poder comprar cigarro e pra poder comprar pizza. vivi de pizza. foram dois anos muito dificies pra todo mundo

foi nessa epoca do peixoto que namorei uma menina chamada Anne Marie. posso dizer que ela foi a minha primeira namorada. mas era namorinho de portão, tipo a gente ficava no colegio pra lá e pra cá e só. ela dizia que se o pai dela soubesse de mim que não ia deixar rolar. não tinha como encontra-la fora do colegio. era uma coisa proibida. imagina eu todo punk, sem um puto no bolso. e ela a  mina que ia todo dia de carro pro colegio com motorista. ela que me bancava os cigarros, me dava grana pra comer, enfim, eu era quase um pimp!

acabou que sai do colegio porque o diretor queria que eu fosse X-9 dele. na epoca tava começando a rolar o movimento de impeachment do presidente. a gente tinha um gremio no colegio rio de janeiro no qual fazia parte, mesmo não sendo mais do colegio, eu tava lá todo dia.
lembro claramente do S.Peixotão me apresentando à mulher dele falando que ela tinha uma peixada na Som Livre, eles sabiam da minha intenção de ser musico.

aquilo tudo me dava nojo. a coisa todo dos boyzinhos do colegio. tinha ate um carinha que era parente do Ivo Pitanguy! ele foi apenas um dia no colegio. alguem me contou que ele pagou pra ganhar o diploma e nunca mais foi no colegio. o famoso esquema PPP - papai pagou passou.
que fase!

quarta-feira, 27 de maio de 2020

fazendo amigos

luisinho estudava na minha sala, tocava bateria e me aplicou no the police. morava em são conrado e de vez enquando juntava uns amigos pra fazer umas festas no play.
nessas ele me apresentou o guto e o luis moraes. 
o guto teve importancia vital na minha vida de adolescente. ele veio com varias informações sobre essa galera de brasilia. não lembro se ele tinha parentes por lá mas sei que ele tinha varias fitas demo. tipo ele ia pra lá passar ferias e voltava sempre com alguma coisa nova.
o luis moraes, tambem tinha informações sobre o joy division entre outras bandas alternativas da epoca. foram eles que me aplicaram no dito som alternativo tipo the smiths r.e.m. sisters of mercy etc. a gente sempre trocava fitas do programa "novas tendencias" do dj jose roberto mahr. e era interessante porque eles não tinham visual, eram pessoas "normais", tipo calça jeans camisa de banda camisa de flanela all star. all star sempre!

o luis foi fazer intercambio na gringa e tinha acabado de sair o "strangeways here we come", ultimo disco do the smiths. enquando eu e o guto ficavamos ouvindo no programa do ze roberto, ele mandava pedaços da capa do disco atraves das cartas (sim, somos da epoca das cartas, como diz meu amigo rodrigo)
e foi o guto que me levou a primeira vez ao circo voador. devia ser algum show pleberude/colera com certeza. ele tinha a coisa de ser cinefilo. tipo me levou pra ver varios filmes do stephen king robert zemeckis  george lucas era deus!

o xande e o leo  foram os que me aplicaram no the cure b-52s oingo boingo. a gente tinha o u2 como interesse em comum. era legal porque o léo tocava piano/teclado desde de pequeno e tinha uma casa bem legal no alto do humaita/jardim botanico. lembro que o luisinho levou a bateria dele pra lá e ficamos fazendo mo zona. o irmão dele era campeão de surf na gringa e sempre vinha com varias fitas cassetes de lá. new order ultravox the cure dead kennedys entre outras coisas. a gente ouvia direto essas fitinhas.

o leo foi pra inglaterra e me trouxe de presente um picture-disc do sex pistols e uma camisa amarela laranja branca com aqueles escritos tipo filth and fury do sex pistols.
foi com essa camisa que fui no show da siouxsie and the banshees no clube monte libano, na lagoa, final de 1986.
andando pela fila pra ver se via algum conhecido, encontro cris, xande, paty e ester. a cris era a unica mina punk do colegio. a gente não se conhecia e nem nunca tinhamos nos falado. não lembro quem se falou primeiro, mas foi assim que nos conhecemos.

finalmente eu ia encontrando os meus iguais.

terça-feira, 26 de maio de 2020

ah, seu eu soubesse lhe dizer

aos 15 anos eu já fumava cigarro e fumava maconha.
não lembro se já tinha tomado o meu primeiro porre, mas com certeza eu tinha cheirado benzina. que treco horrivel. lembro que via tudo em 3-D, e que tinha um gosto horrivel. alguem me disse que era derivado de petroleo, dae nunca mais. lembro que foi nessas festinhas do colegio.

foi nessas festinhas de colegio que tomei o meu primeiro porre - batida de coco. argh, aquela coisa doce que voce não sente, só que quando voce vê, voce está completamente sem o controle de nada, ate a sua voz fica mole.é horrivel.

lembro tambem de uma festina que um amigo da minha rua me chamou pra ir. ele tocava bateria e a banda dele ia tocar na festa. festa? que festa? passei a noite vomitando o mundo nos jardins da casa. não sei direito como voltei; a mãe dele me trouxe ate a porta de casa. e a vergonha no dia seguinte? acho que só pedi desculpas e nunca mais os vi.

acho que no começo eu bebia de raiva. tipo eu não curtia que os meus pais bebessem, sempre tinha briga. eu sempre relacionei a bebida com brigas e discussões.
sei que entendi que o beber tambem tinha essa coisa de se "soltar", de ficar um pouco mais desinibido.

sempre muito timido, eu não dançava, eu não saia, ficava no meu mundinho. festas só se eu conhecesse quase metade das pessoas. era quando me sentia seguro, tinha esse problema de achar que as pessoas não iriam me aceitar, eu era o "diferente", tinha essa coisa do cabelo, das roupas, dos alfinetes, do proprio gosto musical.

era dificil ser adolescente pra mim. até porque eu não achava os meus iguais. e dále de beber pra me sentir um minimo bem com tudo aquilo que me estava em volta.
a foda toda é que voce vai se acostumando com essas situações. então o beber fica associado à socialização do mundo. voce fala pra caramba, voce quase vira uma outra pessoa. pra não dizer que vira totalmente outra pessoa, voce não é mais voce!
então pra alguem que ouvia a novela pra poder contar pra outra pessoa, mesmo não tendo visto a novela, voce ser uma outra pessoa, era fácil.
não tou falando que eu era mentiroso, não é isso. é apenas assumir pra voce uma pessoa que voce não é.

acho que foi por isso tudo que as letras da legião urbana e do escola de escandalos bateram forte na minha cabeça. a coisa do "nos seus sonhos tudo era perfeito" ou "voce com suas drogas e as suas teorias e a sua rebeldia e a sua solidão" ecoavam na minha cabeça direto.
a coisa da leitura do livro da christiane F. tambem era foda. a coisa da droga.

acho que na verdade eu só queria encontrar os meus parecidos, as pessoas que pensanvam como eu. acho que eu só precisava achar a mim mesmo